Natural de Mambaí (GO), onde nasceu a 30 de julho de 1944, Antônio José de Moura iniciou seus estudos primários em sua terra natal, transferindo-se, com a família, para Goiânia, fixando residência no Setor Campinas, a “Campininha” de José Mendonça Telles, sede e mater da nova capital de Goiás onde fez contabilidade na Escola Técnica de Comércio, de Campinas, base para o curso de Direito da hoje centenária Faculdade de Direito da UFG, de que tive a honra de ser diretor no período de 1980-1986. Advogado, Moura conquistaria o cargo de procurador do Estado. Jornalista, membro da Associação Goiana de Imprensa e da União Brasileira de Escritores/GO, foi redator do Suplemento Literário de O Popular, de saudosa memória.

Em 1965, Quilômetro um, poesia; em 1970, Porta sem Chave; em 1978, Notícias da Terra, contos; em 1983, Dias de Fogo, prêmio Fernando Chinaglia; em 1989, Sete Léguas de Paraíso; em 1997, “Umbra”, editada em São Paulo. Foi quinhoado com o Prêmio de Publicações Bolsa Hugo de Carvalho Ramos, da Prefeitura Municipal de Goiânia, e com o prêmio Status de Literatura Latino-Americana. Não demoraria, pois, a ser aclamado para ocupar a Cadeira 17 da Academia Goiana de Letras, de que é uma das figuras mais expressivas. No Dicionário Biobibliográfico de Goiás, de Mário Ribeiro Martins, consulta obrigatória sobre Literatura, em Goiás, figura como “advogado, procurador do Estado, jornalista profissional, escritor, ensaísta, poeta, contista, cronista, pesquisador, pensador, intelectual, ficcionista, memorialista, ativista, produtor cultural, literato, administrador, conferencista”.

Não admira, pois, que a referida coletânea Goiânia em Prosa e Verso, na edição de 2007, haja escolhido precisamente Antônio José de Moura para, numa edição trilingue – português, espanhol e inglês –, enfocar a essência do grande escritor goiano, com o álbum Quem é esse autor/ Quién es este autor/ Who this autor is.Logo no preâmbulo, o perfil do escritor homenageado: “Foi premiado e figura em diversas antologias, no Brasil e em Portugal. Com o título, ‘Las historias memorables de Antônio José de Moura’, o jornal ‘El Adelanto’ (12 de outubro de 1997), de Salamanca, Espanha, dedicou uma página aos seus três romances, assinada pelo professor de literatura Alfredo Pérez Alencart, da Pontifícia Universidade de Salamanca, na qual, depois de muitas outras coisas, ele disse: ‘Anotar este nombre, Antônio José de Moura, pues su trabajo literário es de primer nivel y esperamos que en poco tiempo sus novelas sean traducidas y publicadas em España”.

Figura em A Moderna Sátira Brasileira (Crítica e Interpretação, do brazilianist Malcolm Silverman (professor do Department of Spanish and Portuguese, Languages and Literatures - College of Arts and Letters - San Diego State University, CA), tradução de Richard Goodwin, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1987; e no primeiro número da Revista Brazilian Book Magazine, da Biblioteca Nacional/Minc (Seven Leagues of Paradise), distribuídos na Feira de Frankfurt, Alemanha, uma das maiores do mundo.

Cenas de Amor Perdido - “É um livro bem escrito, tecido numa linguagem lúdica e inteligente, amorosa e crítica, caricaturesca, ou melhor, picaresca em sua essência. Antônio José de Moura recupera o recurso do diálogo entre mestre e discípulo – próprio dos textos clássicos, imprimindo-lhe caráter nacional” (pág. 10) / (Nota da Editora Record, Rio-RJ, 2006).

Mulheres do Rio - “O livro chega às livrarias com a chancela do escritor e professor Deonísio da Silva, que abre seu texto de apresentação dizendo: ‘Antônio José de Moura é autor reconhecido na República das Letras. Integra o time titular da seleção brasileira de literatura que, ao contrário da outra, a de futebol, não recebe o tratamento que faz por merecer. Mas fazer o quê? A obra literária depende de outros prazos, que transcendem a existência dos escritores”.

Sete Léguas de Paraíso - “O romance Sete Léguas de Paraíso, de Antônio José de Moura, se desenvolve em Goiás, no quadrilátero formado por Jaraguá, Corumbá, Anápolis e Goianésia, no coração do Brasil, onde se situa Brasília, uma cidade de seitas e místicos da Nova Era. No entanto, a saga acontece nos anos 20, muito antes de Brasília ser construída, quando Santa Dica, uma jovem visionária, fascinava os habitantes da região e pessoas de todo o país, nas margens do Rio do Peixe, rebatizado de Jordão pelos fanáticos, centenas de desabrigados, sob as ordens da santa donzela Benedita Cipriano, construíram a República dos Anjos, ou a Cidade do Paraíso Terrestre, onde havia liberdade, igualdade e amor. Thomas More tê-la-ia aprovado” (pág. 14). ( In/ The Brazilian Book Magazine, 1991, ano 1, n°1)
Outras manifestações insuspeitas.

Por
Licínio Barbosa
Publicado no Diário da Manhã em:
01/10/2009