Clara Dawn, nascida em Goiânia - Goiás em janeiro de 1975. Filha de Geraldo Miranda e Diomira Teixeira. Clara é pedagoga, com pós-graduação em Psicopedagogia.


Clara Dawn, assina uma coluna nas segundas-feiras no Jornal Diário da Manhã em Goiânia e é editora da revista eletrônica da União Brasileira de Escritores de Goiás. Seu último lançamento foi " Sofia Búlgara e o Tabuleiro da Morte" publicado em 2011 pela editora Kelps-Go. Seu romance Alétheia foi considerado pelos escritores goianos Edival Lourenço (autor do premiado livro; Centopéia de Neon) e Valdivino Braz (autor do também premiado livro: O Gado de Deus)como a revelação de um novo estilo na literatura goiana. "Não busquemos em Alétheia, Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski, está mais para A Cabana de William Young, atualmente na lista dos mais vendidos, pois o romance mostra o homem como um bicho esquisito, com seu hedonismo incorrigível e sua constante luta para esconder seus medos..." Edival Lourenço.


" A jovialidade adulta de seu texto criativo revela uma escritora que causaria inveja a Clarice Lispector..." Reynaldo Jardim - Jornalista e poeta. 
 
Obras: 
 
Alétheia (Romance)- Kelps - Goiânia 2008
Sofia Búlgara e o Tabuleiro da Morte (Crônicas) - Kelps - Goiânia 2011
Artur o grande urso (Infantil) - R&F - Goiânia 2009/2011
Castelo de Bolso (Infantil) - iBookstore Apple - Reino Unido 2011 (Prelo)
O Vale das Quimeras - São Paulo 2012 (Romance) Prelo 
   

Participação nas antologias:

A Cultura Plural de Bariani Ortencio - Vida e Obra - 2009, Kelps - Goiânia

Bar do Escritor - 2010, Kelps - Goiânia

 

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Texto de Humor:

Travessuras Róseas


As 5 da manhã meu celular antecipadamente programado para cantar, despertou-me ao som de: La Vie En Rose de Edith Piaf. Pelo menos desta vez este maldito rádio/celular acertou na programação. Outro dia me acordara aos berros de Bruno e Marrone. Mas naquela madrugada ousou o fino trato musical deixando-me sustenida pela eterna e meiga voz de Edith Piaf considerada por muitos como a melhor cantora francesa de todos os tempos.

-  La Vie En Rose – disse involuntariamente já debaixo do chuveiro.

- La Vie En Rose – outra vez enquanto colocava o creme dental na escova.

- La Vie En Rose...

- O que é isto? – perguntou-me o porteiro.

- A vida é rosa...

- Ah, ta! – fingiu entender.

La Vie En Rose, possuiu minha mente naquele dia e por todo o tempo esteve onipresente em meus diálogos. Não apenas esta frase, mas a canção inteira na agradável voz de Edith. Engraçado, minha mente canta francês...mas, a minha boca só conseguiu pronunciar:  La Vie En Rose. Graças a Deus, já imaginou se fosse “lapada na rachada”? Credo! Será que Freud explica por que temos uma vitrola quebrada na cabeça?

- La Vie En Rose...

- O que é isto? – Desta vez foi a Cidoca que me perguntou enquanto caminhávamos rumo a um boticário. Expliquei a ela e depois de caçoar de minha vida rosa, adentramos a loja.

- Por gentileza o senhor tem La Vie En Rose?

- Espere só um momento que eu vou verificar – disse o vendedor se afastando. Cidoca me olhou sorrindo desconfiada do que eu estava aprontando.

- Acabou senhora. Mas temos Toilette de Moschino, também é francês, sinta a fragrância. – sugeriu o vendedor estendendo o mostruário na altura de nossas narinas.

- Tudo bem, vou levar este mesmo. Que pena, queria tanto La Vie En Rose!

- Deixe seu telefone senhora. Aviso quando chegar!

Tive a petulância de anotar o número do meu telefone e entregar  ao mercenário comerciante e saímos da loja numa galhofa só. Cidoca convidara-me para almoçar. Gosto de Cidoca, ela é minha amiga de infância e a gente  possui uma  sintonia bacana.

- Por gentileza nos sirva o vinho La Vie En Rose. – Disse Cidoca entrando no clima.

- Não sugiro este vinho senhora. Ao seu prato recomendo Pueto Viejo. – Ofereceu-nos o atrevido garçom. Sugestão acatada, afinal o vinhos chilenos são melhores que os franceses. Nem ousei questionar o fato daquela adega não servir  La Vie En Rose. Outra vez rimos para o momento.

O melhor desta história foi à visita a um amigo que convalecia num hospital granfino próximo dali.

- Tenho uma consulta marcada com a doutora La Vie En Rose – perguntei com essa carinha confiável que Deus me deu. Tenho culpa não, foi Ele quem a fez...

- Qual é a especialidade dela senhora?

- Psiquiatria – adiantou Cidoca com a maior vontade de rir.

- É no quinto andar.

Nos entreolhamos e seguimos rumo ao elevador. O horário não nos permitia o quinto andar, subimos ao segundo para visitarmos nosso amigo. O astral estava ótimo e o fizemos rir de nossas travessuras róseas. É claro que na saída não evitaríamos o quinto andar.

- Eu tenho uma consulta marcada com a doutora La Vie En Rose – Tinha que ver a cara de pau da Cidoca perguntando isto.

- Seu nome senhora.

- Maria Aparecida Soares.

- Um momento que eu estarei ferificando (essa foi de matar hem?) Pediu educadamente a gerundica recepcionista.

- Aqui está: Maria Aparecida Soares, doutora Lavinha Rose... é só aguardar. Não pude conter a gargalhada, era imponderável tal coincidência.  Cidoca segurou minha mão puxando com força a caminho do elevador. E eu? Minha nossa como eu queria entrar naquele consultório psiquiátrico. Mas a Cidoca acovardou. Ao entrarmos no carro, eu continuava rindo, e ela possuía uma lividez assustadora no rosto.

- Cidoca qual a moral da história?

- Sei lá você que é a mentora disso tudo.

- Vamos voltar lá no consultório?

- Você está maluca?

- Eu não, quem marcou a consulta com a psiquiatra foi você.