João Elias Antunes de Oliveira, nasceu em Goiânia, em 1964. Trabalhou como servente de pedreiro, contínuo e vendedor ambulante de tecidos, até ingressar na Secretaria de Segurança Pública, por concurso público. Cursou Direito, na Universidade Católica de Goiás. Em 1993, por concurso, entrou no Tribunal de Justiça do Distrito Federal, passando a morar no Distrito Federal. Concomitantemente, foi professor do ensino médio e universitário de História da Filosofia, de Redação, de Direito e Legislação e de Estética Literária. Duas vezes aprovado no curso de Mestrado em Teoria Literária da UnB.

Seu livro publicado, Chamados da Chuva e da Memória, ganhou o prêmio da Bolsa Funarte de Criação Literária, 2009.

Livros:

Cinzas do Amanhã, romance. Prêmio Bolsa de Publicações José Décio Filho, 1986. CERNE, Goiânia, 1987; Demônios da Mente, romance. Prêmio Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, 1985. Secretaria de Cultura da Prefeitura de Goiânia, UBE, Goiânia, 1988; Filodemo, romance. Prêmio Bolsa de Publicações José Décio Filho, 1991. CERNE, Goiânia, 1992. Finalista prêmio Master.
 

Tempo Superficial, poesia. Prêmio Bolsa de Publicações Cora Coralina, 1998. Fundação Cultural Pedro Ludovico Teixeira, Goiânia, 1998; A Longa Estrada sob o Sol, novela. Prêmio Bolsa de Publicações Cora Coralina, 1998. Fundação Cultural Pedro Ludovico Teixeira, Goiânia, 1998; Descrição de uma Cidade Morta, romance. Selecionado pelo FAC. Editora Relevo, Brasília, 2005; Sobre o Movimento das Pedras, poesias. Prêmio Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, 2004. Secretaria de Cultura da Prefeitura de Goiânia, UBE, Editora Kelps, Goiânia, 2009.
 

Recordações da casa velha da ponte, novelas. Selecionado pelo FAC. Editora LGE, Brasília, 2006. (Prêmio Colemar Natal e Silva, da AGL, 2008 e Prêmio “Il Convívio”, finalista, Itália, 2007); O silêncio da mulher, ensaios. Editora Andes, Brasília, 2008; Suposta biografia do poeta da morte, romance. Prêmio Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, 2008. Secretaria de Cultura da Prefeitura de Goiânia, UBE, Goiânia(no prelo); Chamados da chuva e da memória, poemas. Prêmio da Bolsa Funarte de Criação Literária, 2009. Editora LGE, Brasília, 2010.

Participação em antologias:

Poetas Brasileiros de Hoje – 1985. Prêmio Raimundo Correia. Shogun, Rio de Janeiro, 1985; Prêmio Anchieta de Poesia. (Coordenação). Andes, Brasília, 2001; III Prêmio SESC/DF de Poesia. (1º lugar) SESC/DF, Brasília, 2004; Brazlândia em Trova, Prosa e Poesia. (1º lugar). Brazlândia, (inédito); Revista Bagatelas! Prêmio Internacional Érico Veríssimo de Contos (1º lugar). São Paulo, 2005; Coletânea Ladjane Bandeira de Poesia. Prêmio Ladjane Bandeira. Fundação Cultura do Recife, Recife, 2006; V Prêmio SESC/DF de Poesia. SESC/DF, Brasília, 2006.
 

El Espiniyo. Revista de poesías. nº 04. Argentina, 2006; Palavras e silêncios. Prêmio Mário Quintana. Porto Alegre, 2006;Poesias 2007. Prêmio Nacional de Poesia CNEC. Capivari, São Paulo, 2007; Revista da Academia Cachoeirense de Letras. Espírito Santo, 2007; Revista Litterarius. Prêmio Litterarius. Silves, Portugal, 2007; Baú de Letras. Antologia de contos. Prêmio Antônio Torres. CBJE. Rio de Janeiro, 2008; Histórias de Trabalho. Prêmio da Secretaria de Cultura, 2007. (1º lugar) Porto Alegre, 2008.
 

8º Concurso de Poesias da Universidade Federal de São João del-Rei, Minas Gerais, 2008; A palavra em prisma. Antologia VI. Prêmio da Secretaria de Cultura, 2007. Guarulhos, 2008; Histórias de Trabalho. Prêmio da Secretaria de Cultura, 2008. Porto Alegre, 2009; 9º Concurso de Poesias da Universidade Federal de São João del-Rei, Minas Gerais, 2009; Histórias de Trabalho. Prêmio da Secretaria de Cultura, 2009. (1º lugar).  Porto Alegre, a sair; Poesias no ônibus e no trem. Prêmio da Secretaria de Cultura, 2009. Porto Alegre, a sair.
 

A palavra em prisma. Antologia VIII. Prêmio da Secretaria de Cultura, 2009. (1º lugar) Guarulhos, a sair; Revista Brasil Nikkei Bungaku. Prêmio Takemoto, poesia, 2009. (1º lugar), 2010; Recueil des poèmes reçus. Concours de poésie Emile Ripert. La Ciotat, France, 2010; Prêmio Literário cidade de Porto Seguro, 2009. Contos. Porto Seguro, 2010; Prêmio Literário cidade de Porto Seguro, 2009. Crônicas. Porto Seguro, 2010; Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia, 2009. Salvador, 2010.

Traduções:

Poetas Suecos (Antologia). Andes, Brasília, 2004; Música da Vítima e outros poemas, de Horacio Castillo. Relevo: Brasília, 2005.

Estudos em periódicos:

O Precursor. In: Estudos – Humanidades, Revista da Universidade Católica de Goiás, v. 28, n. 3, p.417-424, 2000; Lendo “Pedra de Sol”. In: Fragmentos de Cultura, Revista da Universidade Católica de Goiás, v. 13, nº Especial, Setembro, 2003, 787; Delermando Vieira, o alquimista da linguagem. In: Jornal Opção. Opção Cultural, Goiânia, de 9 a 15 de maio de 2004, Ano IX, n. 500; Valéry e a Filosofia Poética. In: Fragmentos de Cultura. Revista da Universidade Católica de Goiás, v. 14. n. 5, maio, 2004.

Traduzidos:

Tiempo Superficial. Tradução de Horacio Castillo. Argentina: Hespérides, 2005. 
 

Poesias:

O Dever

Cantar esta história de
            farelos e tijolos
        em que se explora a
              manhã como se
                     um corpo,
como se a manhã resultasse
absoluta, incontrolável;

Cantar o corvo no sossego da
carne podre: pasto;

Cantar a fome que divide o
homem em lobo e nome;

Cantar o pássaro que erra
                  no olhar e
                na terra;

Cantar o homem-ilha longe
perdido solitário poste
               fita isolante
                     ossuário.

 

Canção

 

De que adianta o sonho
         de cavalo-marinho
        se há os limites do vidro
                   no aquário?

Toda fuga verdadeira se
         inscreve nos gritos
                 da manhã.

Há anos esperando a canção proletária
        subir dos músculos das
             lavadeiras, das mãos dos
                   cortadores de cana,
                das enxadas carpindo
                               o dia.

 

O Homem Por Dentro


Conhecer as encostas
neste mar de cascalho
onde proliferam lágrimas
e risos de condição humana
nesta pequena aventura
que recomeça a cada dia.
Homem: por dentro
a prisão da carne
ou a liberdade do grito?
E ressurge como os capins
o impacto da pedra
                   na fronte.
Quisera ser os pastos
de bois e anus
e pragas e conhecer
cada pequeno existir
cada fuga de carne mínima,
cada centímetro
de ruptura e colisão,
como numa caçada
                    de falcões.
O homem por dentro:
ser posto no mundo,
largado no mundo feito
                         coisa,
painel de guerra
                     e fúria.
Como ouvir este silêncio
escondido sob
os ventos do turbilhão?
Homem: coração
                de pedra e carne.
Homem: leão, rato, palavra.
Desígnios do mundo
de terno e gravata.
Conhecer tantas faces
dentro da face,
qual trama de mar
e tinta abjeta,
escrevendo as memórias
                             do porão.
Uma concepção de paraíso
debaixo das pernas
                      do tempo.
Bandeiras de derrotas
                                e vitórias
crescendo como
pendões de milho
nos campos minados da solidão.
E a palavra homem
criando personalidade própria
como mosca nascendo
do barro:
                       criação!

Mas não é só isso:
há também a foice recurva,
que reclama o pescoço,
as notícias de amor
                       e morte
vindas de longe,
muito longe,
pelos fios de cobre,
ondas do ar.
Receio de dizer
quanto ainda resta
de homem no dicionário
                       e no zoológico,
quanto resta de homem
na memória dos bichos,
nas pegadas da lama,
nos dentes da lua,
nos ossos da solidão?