Felix Ramos de Meneses é filho de Joaquim Ramos Sobrinho e Maria Ramos de Meneses. Nasceu em Mara Rosa – GO, em 23.03.61, num local chamado Fazenda Fanha (que hoje pertence ao Município de Alto Horizonte, antes um distrito). Estudou até os nove anos em escola de fazenda, depois foi pra Uruaçu, onde estudou nos grupos escolares Bernardo Sayão e Coronel Gaspar; da quinta à oitava estudou no Colégio Alfredo Nasser; Já o segundo grau, foi no colégio Castelo Branco, em Mara Rosa.
 

Ingressou no Instituto de Artes da UFG em 1980, onde cursou Artes Visuais, que concluiu no final de 1984. De 1982 ao fim do curso, morou na Casa do Estudante Universitário, a CEU-GO, onde fez muitas amizades.
 

É empregado da Caixa Econômica Federal desde 1989. Junto com a atividade de pintor, manteve sempre a sua produção literária, mas que só agora vem exercendo com a devida disciplina.
 

Daí surgiu o Comedor de papa-terra, concluído em junho e premiado Bolsa Hugo Carvalho Ramos em 2004 em outubro de 2004, mas que só foi publicado em junho de 2008.
 

Em março de 2010 foi publicado o livro de contos Matador de onça pela coleção Goiânia prosa e verso de Prefeitura de Goiânia.
 

Fragmento de O Comedor de Papa-terra:

[...] O senhor é instruído, vai me entender. A boniteza nem sempre depende de dinheiro, de grande preparo. Devagar a gente vai aprendendo que o destino faz a graça do momento. Mas que, com jeito sorrateiro, a gente pode perseguir o que há de bonito. É como eu digo, esse vento que dá nas palhas do macaúba faz ele parecer com os cabelos de um gigante de movimentos suaves. Uma nuvem branca com partes mais acinzentadas lá por detrás do morro. A gente daqui não para olhar essas coisas. Joaquinzão, esse parava. É que o bonito vem às vezes de traição e nos enfeitiça.

Nesses tempos de muito mosquito, a beira do rio está infestada. Pego a vara, umas minhocas, e levo esterco seco de vaca. A fumaça do esterco espanta os mosquitos. Tem gente que fuma. De fumar eu não gosto, já uns dedos de uma cachacinha, isso eu aprecio. Pescar tem um pouco de sonho. A cachaça ajuda a embalar. Aí a gente pesca bagre e sonha com pintado.

Quando era pequeno lá no Fanha, diversão nossa era diferente das de hoje. Pescar, montar cavalo, subir em pau, pegar fruta, caçar passarinho, remar canoa, banhar no rio, balanço, pião, criar filhote de periquito. Para aprender a nadar, bom era engolir um peixinho vivo. Pequeno, gostava de olhar o chão. As vidinhas pequenas que há no chão. Formigas carregadeiras faziam trilhos, eu seguia pra ver até onde iam. Serpenteavam entre arbustos, passavam por entre as lascas da cerca velha de aroeira, iam pelo cerrado até chegar nos formigueiros de boca grande de terra vermelha. Outras vezes, eram os gongolôs, com  aquela infinidade de pernas. As lesmas, os caracóis...
 

Uma vez meu irmão Divino disse para minha irmã que, se o gongolô pegasse alguém, era morte certa. Só não se a pessoa contasse certinho quantas pernas ele tinha. Joana ficou calada, com medo, tinha acreditado. Um dia, pegamos ela tentando contar as perninhas de um...