GABRIEL JOSÉ NASCENTE

Nasceu em Goiânia, no dia 23 de janeiro de 1950. Filho de Antônio Estrela Nascente e Antônia Barbosa Nascente. Publicou seu primeiro livro aos 16 anos. É autodidata e autor de extensa bibliografia literária. Tem poemas traduzidos para o castelhano, por Dilermano Rocha, sob o título El llanto de la Tierra, do Centro de Estudos Brasileiros de Buenos Aires, 1976. Detentor do prêmio Nacional “Cruz e Souza de Literatura”, Florianópolis, 1996. Obra – Os Gatos, poemas. Goiânia: CERNE, 1966; Reflexões do Conflito, em parceria com Aidenor Aires, poemas. Goiânia: Oriente, 1970; Menino de Rua, poemas. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 1970; Viola do Povo, poemas. Goiânia: Oriente, 1972; Colméia de Anônimos, poemas. São Paulo: Livraria Martins, 1973; Um Balde cheio de Flores para Manuela não chorar, poemas. Goiânia: Oriente, 1974. Os Passageiros, poemas. Goiânia: Editora Cultura Goiana, 1975; Menestrel de Rua, poemas. Goiânia: Oriente, 1976; Exilados do Sol, em parceria com Ronald Claver, poemas. Goiânia: Goiás Editora, 1977; A nova Poesia em Goiás (Antologia dos Poetas Goianos). Goiânia: Editora Oriente, 1978; Colheita: a Voz dos Inéditos. Goiânia: Unigraf, 1978; Pastoral, poemas. Goiânia: Oriente, 1980; Águas da Meia Ponte, poemas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira/Massao Ohno, 1981; Chão de Espera. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1984; Trono de Areia. 2ª edição. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1984; Crônica da Manhã, poemas. Goiânia: Editora da UCG, 1985; Um dia antes de mim, novela. Goiânia: Editora da Universidade Católica de Goiás, 1986; Madrugada nos Muros, poemas. Goiânia: Editora Líder, 1987; Janelas da Insônia. Goiânia: Graf. O Popular, 1988; A Valsa dos Ratos, poemas enfeixados no livreto distribuído em campanha eleitoral. Tiragem: 10 mil exemplares. Goiânia: Ed. Luzes, 1992; Sentinelas do Efêmero, entrevistas literárias. Rio de Janeiro:Ediouro AS, 1992; A Ponta do Punhal, poemas. Goiânia: CERNE, 1993; Ventania. Goiânia:Fundação Cultural Pedro Ludovico/CERNE, 1995; Sandálias de Pedra. Incursão poética ao minimalismo. Goiânia: Editora Kelps, 1996; A Lira da Lida, poemas. Prêmio Nacional “Cruz e Souza de Literatura”, Florianópolis, 1996; Goiás, meio século de Poesia, antologia. Goiânia: editora Kelps, 1997; Os Aventais de Púrpura, poesia. Goiânia: Ativa Editora, 1997, prêmio Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos; A Cova dos Leões, romance. Goiânia: Editora Kelps, 1998; O Anjo em Chamas, poemas. Goiânia: Editora Kelps, 1998; A Taça Derramada, poemas. Goiânia: Editora Kelps, 1999.
 

 Poesias:

 

O Voo das Metáforas

 

Havia um sol espatifado
entre as dores da ferragem. 

Havia um picolezeiro
fabricando
vitrines de gelo.

 Havia um strip-tease
de lua
na cabeça dos pára-raios.

 E um tremor de caminhões
no bolo de aniversário

 Havia um zumbir de abelhas
no cabo dos punhais.

 E um navio encalhado
no coração das fragas.

 Havia uma chuva
escondendo nuvens
dentro dos sapatos

 Havia um rio que nunca
nadou entre as escamas.
E um adejo de pombos
na taça de Dionísio.

 E um canivete de prata
no olho de Édipo.

 E o haver do não-existir
                            havia.

 Uma procissão de mortos
no ventre dos espelhos.

 Um choro de piano
nas águas do
infinito.


O Espectro do Dia


Eu me ia, eu me ia,
por uma incerta via,
longe de mim, não me via:
cinerado de tudo, eu me ardia,
até da luz que me batia
em tão forte truz de agonia!

Às duas em ponto, eu decidia,
ardendo em agras lembranças,
à luz estúpida da tarde, eu
me ia,
com licor de demônio nos lábios,
a garrafa de arrepios me entupia.

O sol tinha rubor.
eu tinha pudor.

e ali mesmo,
na masmorra do meu íntimo,
havia um deus que me agredia:
- Sai da merda deste álcool
que te agoniza!
ele dizia: "Gloriar, glória!"
Caída página, eu me ia,
assim pálido,
assim torpe,
por uma incerta via.

A luz não era de todos, eu
gritava, eu gritava,
no plectro de Hesíodo:
ao sol dos trópicos,
em pânico, eu me ardia.

E bêbado de luz
eu me ia, assim lucífogo,
assim solífugo,
com meus malogros
às praias do espírito:
eu me ia,
cônscio de meus ocos
em nada eu me valia.

De meus ossos fiz-me
vácuo deste oco: o dia
era o meu fosso.

eu morria
na luz que me fugia.

 

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