Nasceu em Goiânia (Campinas) no dia 24 de setembro de 1940, filho de Glicério Coelho e Maria Vaz Coelho. Fez seus estudos iniciais em Catalão e, em 1966, concluiu o curso de Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade Católica de Goiás. Professor de Direito Penal e Processual Penal na Escola dos Oficiais da Polícia Militar do Estado de Goiás, repórter da Folha de Goyaz, foi Presidente da União Brasileira de Escritores de Goiás; Secretário de Cultura do Estado, um dos fundadores do Grupo de Escritores Novos (GEN) e fundou os jornais A Voz do Escritor, Mutirão Cultural e Painel Cultural.Read More

Pertence a diversas entidades culturais com várias premiações, participou de muitas antologias brasileiras e estrangeiras e presidiu a Academia Goiana de Letras.

Em 2004, foi agraciado com o Prêmio Clio de História, pela Academia Paulistana de História, com o livro Senador Canedo – vida e obra, e recebeu a comenda Grão-mestre da Ordem do Mérito Anhangüera, do Estado de Goiás, no grau Comendador, pelos relevantes serviços prestados à cultura goiana.

Tem publicadas as seguintes obras: Vultos Catalanos (antologia), 1959; Poemas da Ascensão (poemas), 1963; Mensagem livre (poemas), 1971; Águas do Passado, (poemas), 1986; Re(vi)vendo (ensaio), 1987; Corpo Noturno (poemas), 1990; Rastro literário (crônicas) 1991; Caminhos de sempre (poemas) 1996; Memória do Poder Judiciário de Goiás (pesquisa histórica) 1998; Diário de Tropeiro (poemas), 1999; Literatura goiana – síntese histórica (pesquisa literária: português, francês e espanhol), 2000; Aquino Porto e a industrialização em Goiás (pesquisa histórica), 2001; Goiânia-69 (poemas), 2002; Senador Canedo – Vida e Obra (pesquisa histórica), 2004; Coelho Vaz – Poemas Reunidos (poemas) 2004; Seleta Acadêmica (antologia), 2005; Força literária (crônicas), 2005; Vinte poemas e desenhos iluminados, 2006 e O outro caminho (poemas), 2007, prêmio Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, Prefeitura de Goiânia e UBE-GO.


  Poesias:

 

MENSAGEM LIVRE

I

 

Não será da tarde

 

que farei meu poema.

 

Nem do sol

 

farei minha canção.

 

Do sal da terra,

 

argamassa, areia,

 

estrume e viola

 

farei com carinho

 

         poemas de amor.

 

 

 

Dos olhos de minha amada

 

e de tristezas

 

brotarão da terra

 

meus poemas e canções.

 

 

 

Cantarei na viola

 

existência do homem

 

que luta pelo seu dia,

 

         canta alegria

 

         e não espera por esperar.

 

 

 

Farei minha canção

 

do sal da terra

 

poemas de amor.

 

 

 

MEMÓRIA

 

 

 

Trago na minha memória

 

coisas de longes tempos:

 

A timidez de minha vizinha

 

e o tropel de cavalos na rua esquecida

 

de minha infância.

 

O sorriso puro de minha mãe.

 

A alegria contagiante de meu pai.

 

 

 

Trago na minha memória

 

figuras de longes tempos.

 

Muitas delas jazem no esquecimento.

 

Outras não as vejo,

 

mas as tenho dentro de mim.

 

Brotam e desabrocham

 

em gestos de longa data.

 

 

 

Trago na minha memória

 

lembrança da pequena cidade.

 

Sua iluminação na praça principal

 

e o frio que gela os músculos.

 

O chocolate quente do bar do coreto,

 

as papoulas orvalhadas

 

e os gerânios que embelezam e perfumam

 

o jardim noturno da cidade.

 

 

 

Trago na minha memória

 

as coisas que jamais morreram em mim.

 

NUM GESTO DE LUTA

Num gesto de luta
aproveita o intervalo.
Espetáculo verdadeiro
de verdadeiro entusiasmo.

Um nome.
Um peixe que sobe,
saltita, pula e dança.
Dança trotando
e retorna às águas do mar.

É o velho e o mar.

Mãos firmes
na corda da pescaria
sangra a firmeza do sonho.
Sonho grande
na grandeza de um peixe.

Luta perpassa a hora,
horas contínuas
de vida e coragem.

Hemingway fascinante
no espetáculo da novela,
da guerra entre dois,
da vitória e da vida.

 

 

TARDE CINZENTA 

Tenho medo da tarde cinzenta

porque ela me traz

um enorme desejo de ser infeliz.

 

E nesse instante,

mais que um instante,

a voz grave do coração

me cerca e procuro fugir.

 

Os sinos da minha terra

gritam o pavor corpóreo

do homem que desconheço

e o horror da vida

e do mistério

que sempre me acompanham.

 

Tenho medo da tarde cinzenta.

 

 

MENSAGEM LIVRE

 

 

 

V

O homem  tira peso dos ombros

e corta vida dos campos.

 

No ato não há carinho.

Apenas fria fúria.

O homem ilumina a natureza

para sua construção.

 

Do trabalhador, suor e sangue

servem de chuva

que fecunda terra.

 

Ergue para os céus

trabalho-operário

no tempo-espaço

com luz.

 

A pedra é penetrada

e a terra se abre

em amor e trabalho.

 

Em cada gota de suor

uma idéia

floresce no  homem.

                   — Vencerá um dia.

 

Com ferramenta e não

prega no portal

prego da vida.

                   — Vencerá um dia.

 

Haja sol ou não sol.

Na claridade será espalhada

a mensagem da idéia.

Na sombra vence descanso

de séculos.

 

A construção chega ao fim

e todos vivendo a dor

                   do corpo

descansam na casa do

                   do amor e sacrifício.


 

CORPO NOTURNO

 

 

 

15

No suor do teu corpo

que galopa,

sou teu cavalo.

Penetro o fogo

entre tuas patas.

Falo

de amor.

 

 

 

16

Quero arder

no ventre da noite.

Queimar o poço

em chamas de desejos.

Ferir-te com

minha tocha de fogo

e sentir o gosto

de teus gemidos.

 

 

 

17 

Entre rosas, flor ferida.

Sou teu espinho,

mancha,

vermelho,

em teu lençol de lírio.