Natural da cidade de Uruaçu/Go, fundada por seus ancestrais, a família Francisco/Fernandes de Carvalho, nasceu em 31 de dezembro de 1951. Filho do promotor de Justiça e professor Cristovam Francisco de Ávila e de Selenita Campos de Ávila. Realizou os estudos fundamentais em sua cidade natal, o ensino médio nos Seminários Santa Cruz, em Goiânia, e Nossa Senhora de Fátima, em Brasília – DF. Graduou-se em Direito pela Universidade Católica de Goiás, no ano de 1974, havendo cursado dois anos de Letras Vernáculas, pela Universidade Federal de Goiás. Exerceu a advocacia nos anos de 1975, 1976 e 1977, na região de Uruaçu, onde também exerceu o magistério, como professor de Redação e Expressão e Inglês. 

Exerceu o cargo de Auditor da Delegacia Regional do Trabalho, em Goiás, nos anos de 1978/1981. Ingressou na Magistratura estadual no ano de 1982, exercendo a judicatura nas Comarca de Formoso (1982/1985) Mara Rosa (1986/1987), Santa Helena de Goiás (1987/1992), onde exerceu a jurisdição nas áreas cível, criminal e eleitoral, e ainda na Capital deste Esta do,  para onde foi promovido, pelo critério de merecimento, no ano 1992. Passou a atuar como substituto de Desembargador, no Tribunal de Justiça do Estado, desde o ano de 1999. Pós graduou-se como especialista, em Direito Processual Civil, e como mestre, em Direito Agrário, pela Universidade Federal de Goiás, com uma disciplina – Cooperativismo – realizada na Universidade de Ávila, na Espanha. Nessa Faculdade exerceu, nos anos de 2000/2001, as funções de professor substituto, de Direito Civil e Processual Civil. Ministrou as mesmas disciplinas na Faculdade de Direito da Uni Anhanguera, nos anos de 2002/2007, participando de várias Bancas examinadoras e proferindo palestras.  Lecionou também na Escola Superior da Magistratura do Estado de Goiás.

Habilitou-se nos cursos dos idiomas Espanhol e Francês, no Instituto Ibero-América e na Aliança Francesa (Brasil). Foi Juiz Eleitoral da 136ª Zona eleitoral de Goiânia, por dois anos, e também exerceu o mandato de Conselheiro da ASMEGO – Associação dos Magistrados do Estado de Goiás. Foi Diretor, por dois mandatos, do jornal O Magistrado, da Asmego. Assumiu as funções de Diretor Cultural da citada Associação nos anos 2012/2013. Revisou e atualizou os originais do livro “A família Fernandes e a fundação de Uruaçu: Reminiscências”, de autoria de Cristovam Francisco de Avila.

Associado da UBE/GO. (União de Escritores Brasileiros, Seção de Goiás), escreveu os livros “Notícias Históricas de Campinas” e Inventário do Abstrato” , publicadas pela Secretaria de Cultura da Prefeitura de Goiânia; publicou o ensaio biográfico “Antonio Theodoro da Silva Neiva – um escorço biográfico”. Participou das coletâneas de poesia “Verbo Interior”, publicada pela Prefeitura Municipal de Uruaçu,  e “Thêmis Translúcida” e “Iluminuras do signo”, estas publicadas pela ASMEGO.  Vem publicando periodicamente artigos abordando temas de caráter literário, histórico e jurídico em revistas e jornais da Capital, especialmente da Academia de Direito e do Tribunal de Justiça do Estado.

Atualmente exerce o cargo de Desembargador, integrando a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, já tendo exercido a Presidência dessa Câmara e da Seção Criminal do mesmo Tribunal.  Integra a Comissão cultural do TJGO, na gestão do Presidente Ney Teles de Paula. É membro da ACAD – Academia Goiana de Direito -, da ASMEGO – Associação dos Magistrados do Estado de Goiás, e da UBE/GO, União Brasileira de Escritores – seção de Goiás. É casado com Leila Regina da Costa, cirurgiã-dentista, pai de Matheus Machado de Carvalho, diplomata, Raquel Machado Gonçalves Campos, historiadora, e Ana Laura Machado Gonçalves Campos, designer industrial, filhos que houve de seu casamento com a servidora pública Margot Machado Gonçalves Campos, falecida em 2001. Tem inéditos: “História do Município de Uruaçu”, “Orações no Templo da Justiça” e “Sobrepartilha da tarde”(poemas, título provisório). 

 
(Biografia atualizada em 27 de agosto de 2014 - Org. Clara Dawn)
 

Poesias:

 

Um Homem Quando Mata

Um homem, quando mata outro homem,
viola a esfera dos deuses,
penetra no reino obscuro
desse gesto absoluto
e  se incorpora a si mesmo
a ausência imanente do outro
atravessada em sua existência
como se fora uma faca
encravada em sua costela.
Incorpora ao seu nome o sobrenome
do morto, e quando come,
se alimenta da mesma fome
do outro. Quando bebe, bebe a sede
do semelhante rompido.
Os olhos cerrados do morto
vigiam os passos do insensato
e sua vida cresce nas sombras
sob os gritos perdidos do finado.
O remorso segue ao encalço
dos seus passos claudicantes.
O medo como erva daninha
prolifera em seus pensamentos.
Em sua fala de todo momento
escuta a voz de quem calou.
Um homem que mata destrói
no outro um pouco de si mesmo,
segue pelos círculos a esmo
como Prometeu cego e pendido
ao peso da sombra do morto.

Manhã de Domingo

Não vejo minha filha.
Mas não se esvanece o vulto
No horizonte da retina,
Vibra um resto de riso,
Ouço um pedaço de fala
No claro esquadro da matina.
Em que estranhas paragens
Se movem seus passos,
Que falas, que vozes,
Que rostos e paisagens
Nos seus olhos transitam?
Onde anda a menina
Que inda há pouco corria
Pelo vasto planalto,
Com o som de sua música,
Com seus versos e rimas
Nos cachos dos seus cabelos?
Não vejo minha filha
Mas observo os seus gestos,
Sua sombra, seu brilho,
Que se estendem nas horas
Do meu dia soturno. 
Estará na Alemanha,
Sonhando com os russos,
Estará em Belgrado, sonhando
Acordada, com as praças
E as pontes da doce París?
Espio, às vezes, minha filha,
No meio das nuvens,
Para o meu espanto,
a vejo nas árvores, fugaz nos espelhos,
No sonho noturno....no véu
Da tarde, que cai num suspiro,
Feito um pacote de dor
Que desaba em meu ombro
Esquerdo, ferindo por dentro,
Rasgando meu peito
Fragílimo, de pai,
Tão órfão da filha.

Não vejo minha filha.
Nessa escura manhã
Que nem parece domingo....
E por que essa lágrima
Teimosa, furtiva 
insiste em aflorar?
 
                        Itaney F. Campos


Da tarde, que cai  subitamente,
Feito um pacote de dor.
E fere sem alarde,
o meu peito esquerdo,
E rasga por dentro
a precária alegria 
do meu silêncio de pai.....
E abre uma trinca
No cristal da paternidade
Tão órfã de sua filha....
 


Uma filha não se faz de um átimo,
Faz-se de sangue
de sonhos e de paisagens
em que navegam as gerações,

faz-se de esperas, de temores
estranhos e entranhados,
de prazeres carnais
e de idílio.
E cresce por entre dores
e êxtases, sorrisos,
noites mal dormidas
e catapora, além da possibilidade
terrível do exílio.
Uma filha se fabrica
Diariamente,
Entre diálogo e teimosia,
Em seus ensaios de vôos
Hesitantes,
e o temor paterno
Da queda entrevista
Nas noites de insônia.
Filha, uma filha,
Assim o poeta dizia,
o melhor é não tê-la, 
Mas é tão incrível
esse poder sabê-la
Tão perto do nosso abraço
E quão mais dolorosa
é a ilusão de perdê-la,
(a mera tolice do apego
pois sua ida é o retorno)
e nos espaços do mundo,
no turbilhão imenso
da vida, ela há de voltar
colorida, sarando o remorso
e todo medo da partida. 
E vem rica das paisagens
Vagamente pressentidas
Ainda que invisitadas.
E do que nunca tive notícia
Torna-se o tema diário
Do diálogo surrealista
Que só tive no imaginário.
Minha filha, quando a vejo
Na soleira da velha casa,
Na cabeceira da mesa
Comendo pão com café
Na clara manhã de domingo?

 

                  
Não vejo minha filha.
O veludo dos meus olhos
me impede a luz.
Na saudade a imagem
não precisa de luz.
O nome a traz, brilhante e bela.
Os olhos distantes e tristes
cerram em doce memória.
Uma calma passageira
me invade e me leva
uma lágrima, que escorre,
já por entre versos.


Não vejo minha filha
Mas o verso a traz por entre impulsos
E  pressa da adolescência.
Por entre a impaciência do pai cansado
E a força do hábito.
Vejo minha filha em outras
Todas que cantam, dançam
E namora.
E entre outras que vão à escola.
Chorando.
Vejo minha filha nos espelhos infinitos,
Transmutando-se em mulher,
Em novas gerações,
E eu ficando cada vez mais longe e lá.
Ouço seus gritos nos meus
Alaridos infantis,
Em momentânea fusão de gerações.
Não vejo minha filha e ela está comigo
Na minha língua.
O nome traz minha filha
Por entre gotas-salgadas
Que me revelam, caindo de minhas certezas.
Uma filha nasce de turbilhões,
De gritos e morte,
Dor e esperança.
Ouço gritos de criança,
Tal sussurro de Deus,
A marcar o tempo.
Passado – presente - futuro.
Vejo minha filha
Distorcida pela luz.
Quem é a luz
Se não as filhas-crianças que se espalharam pelo universo e
Que levantam meus ombros arqueados,
Quando meu moral ajoelha;
Que abrem meus ouvidos mochos
À reciclagem dos sons,
À voz da alma
E do silêncio que a verdade transporta.

                                                
      
                                     Ítalo Campos


Não vejo minha filha
E a encontro nas páginas
Remexidas de Patativa,
No aboio do meu cerrado.
Entre sólido e triste
Meu coração se encontra
Com o que é ser-tão.
Bem-te-vi, Bem-te-vi.
Emília descobrindo os caminhos e
Iluminando minha fantasia,
Abre a porta do céu
Onde se encontra minha filha, entre anjos,
Ogros e o Todo Poderoso.
Minha filha dorme por entre
Mil e uma Noites e me mantém
Acordado.
Da Odisséia a Alice encontro
Minha filha entre linhas.
E por ter tantos
Que trazem minha filha
Choro menos sua falta,
Cavo menos sua ausência,
Que me ensina.
Não vejo minha filha
E ela me encontra no cenário de Minas,
Na ladainha de Adélia, na ladeira de Drumond
E na Rosa que floresce entre buritis.
Quantas viagens fiz
Com a falta que ela me faz.

                                  Ítalo Campos.                                    

 

Não vejo minha filha
E ela passeia,
Por asas de borboleta,
Por entre flores de pequi,
Lobeira e solidão.
As borboletas vagam tristes...
Toda lágrima é traço
De lembrança
Que trago entre o vago medo
Do viver e a força da falta.
Nunca estive em paz
Com a minha idade:
3, 13, 53.
Um estranho,
Um descontentamento,
Uma pequenez de corpo.
Não me cabe.
Uma despedida constante
De mim.
Nenhuma saudade.
                                          
                                 


                               Ítalo Campos
     

Não vejo minha filha.
A cor do arco-iris
Sou eu
ilusório, efêmero e vago.
Revivo em borboleta.
Minha filha reside no berço
dessas asas, na nervura
que a constitui e tece meus significantes.
Vivo num leve bater de asas.
Poema é  o pólen
Dessas asas, que substancia,
Sustenta e suspende
O que seria só real.
Não vejo minha filha
Com os olhos da face.
Vejo-a com os vazios da órbita,
Em espelhos infinitos
E imortais.
Às vezes me invade angústia.
Nada me espera do lado de lá.
As vezes vazio.
Antes e depois de mim
O nada. Sou um nome, sou.

                                          

 


                                   Ítalo Campos
Não vejo minha filha
Ela desliza por aí em
Sapatos de tango.
Desfila por aí por entre marcas
Rótulos e reinos.
Entre selvagens
Órgãos públicos e privados.
Que será dessa filha
Num mundo sem alma,
Sem pé nem cabeça?
Onde se encontrará?
Em que cenário de frias lajes
E silêncio e vertigem trágicos?
Onde se encontrará nesta planície
Da modernidade monótona?                                              

 

                                    Ítalo Campo
Procuro minha filha
Nas composições das nuvens
Que percorrem o céu
Da minha infância;
Monumentos de ópera cósmica.
Animais, minha amada, outros sonhos
Se formam e se desfazem.
Corpo de baile.
Um pássaro de imensas asas
Chamado E.A.Poe me leva ao infinito.
Vejo minha filha nas composições
Dos jardins que minha cidade não tinha.
Vejo-a na músicas
Que tocavam no rádio
E no ventre de uma grávida.