Nasceu no dia 29 de novembro de 1989 em  Goiânia – Goiás, onde vive com sua mãe Cleusa Maria dias de Jesus e sua avó paterna Joana Lucia de Andrade. Ele foi o único de toda a sua família que chegou a concluir o Ensino Médio e, desde criança, sempre foi muito apegado à literatura como um todo, mas um apaixonado por contos. Johnatan Willow escreve muitos contos dos quais ainda não publicou nenhum e uma  única poesia de caráter social chamada “Filipinas” para um conhecido concurso de poesia em sua cidade natal. Atualmente estuda entre outras coisas as Línguas Francesa, Inglesa e Literatura Portuguesa na UFG, além de ser conselheiro voluntário da AFS (ONG com mais de 50 anos de experiência na promoção de intercâmbio para aprendizagem intercultural, que leva brasileiros para diversos países e também recebe estrangeiros no Brasil) e cuida de dois intercambista  (um alemão e um tailandês) na aquisição de línguagem e cultura brasileira e goiana.

Formado no curso técnico de Telecomunicações do CEFET-GO (Centro Federal de Educação Tecnológica)  ano 2009/2. Cursando o terceiro período do curso de LETRAS na  UFG  (Universidade Federal de Goiás) no ano de 2011. Associado à UBE (União Brasileira de Escritores) no ano de 2011. Associado à ABECAN (Associação Brasileira de Estudos Canadenses) no ano de 2011. Participante das palestras do “Canadá em Pauta”  na Faculdade de Letras durante o ano de 2010
Participante do Concurso de Poesia Falada “Geraldo Coelho Vaz – 50 anos de literatura” – Editora Kelps, 2009. em que publicou a poesia “Filipinas”. (p. 44 – 46, 2009).
 

Participou da Oficina de Contos da UBE – GO com o professor Lacordaire Vieira e publicou o conto chamado: Pecado Original Falante de francês já em nivel intermediário e possuidor do certificado de DELF (Diploma de Estudos em Língua Francesa) A2 feito em 2010.

Poema:

Filipinas

Diante da pátria chocada
Nossa capital foi dissolvida
Nossa terra tão amada
Foi deveras submergida.

Quando o Pacífico fica Violento
E a bonança vira um tufão,
Quem poderá ouvir o lamento
De um povo, língua e nação.

Vejam, ó nações poderosas
O clamor da Filipinas,
Nosso povo em polvorosa
Entre tempestades assassinas,
Nossas ilhas tão formosas
Hoje, sucumbindo em ruínas.

Somos milhares de desabrigados
Refugiados do caos se ajudando,
E, por nossos mortos soterrados
Uns aos outros consolando.

Qualquer lugar é bom para se refugiar
Quando as províncias estão alagadas,
E, se um dilúvio pode um país arruinar
Então as portas da Arca já estão lacradas.

Vejam, ó nações poderosas
O clamor da Filipinas,
Nosso povo em polvorosa
Entre tempestades assassinas,
Nossas ilhas tão formosas
Hoje, sucumbindo em ruínas.

Aprendei com nosso gênio
Que é “humilde de coração”,
Não temos bombas de hidrogênio
Nem exportamos poluição.

Da Ásia somos cristãos
Crentes das graças divinas,
Sabemos que as Tuas mãos
Levantarão as Filipinas.

Vejam, ó nações poderosas
O clamor da Filipinas,
Nosso povo em polvorosa
Entre tempestades assassinas,
Nossas ilhas tão formosas
Hoje, sucumbindo em ruínas.

Conto:

O problema é meu e seu

Foi numa rua de Goiânia que conheci o pequeno Maurício, um garoto que mudou minha forma de pensar.  Sou motorista de táxi há alguns anos, já transportei muita gente e de todo tipo. Já vi de tudo nessa grande Goiânia que amo tanto. Depois do réveillon, férias e carnaval - quando muitos que não podendo dirigir por embriaguez, solicitam meus serviços -, o transito e a vida rotineira de Goiânia fluem normalmente de novo. Os passageiros, sempre apressados, entram no carro e dão a indicação de onde querem ir. "Para o aeroporto, por favor". "Para o tribunal, motorista, e rápido!". "Para o Centro de Goiânia, e voando, pois estou atrasado" Todo dia uma correria. Alguns ficam de olho no taxímetro já outros esquecem que ele existe.

Mas numa segunda-feira chuvosa após a semana do Carnaval, ma apareceu num semáforo fechado da República do Líbano, um garotinho que logo correu para o meu carro, o primeiro da fila de carros, assim que o sinal fechou para mim. Era um garoto de cabelo crespo, olhos grandes e tristes, era esbelto e franzino. Todavia não demonstrava abandono nem miséria. Apenas fome.

- Tio, o senhor tem aí um trocado pra me dar?

- Não, meu filho, o tio não tem moedinha aqui, só nota graúda. Depois eu passo aqui e te dou umas moedas pra você comprar balinha.

- Não, tio! - Ele riu -. Não é pra comprar balinha que eu quero dinheiro. É pra comer!

- Comer? Você comeu o que até agora?

- Nada. - Respondeu ele com simplicidade. Olhei no meu relógio de pulso e vi que já eram cinco e quarenta e dois da tarde.

- Você não almoçou?

-Não.

- Entre . Vou te levar numa lanchonete aqui perto - disse eu. Ele hesitou em entrar no meu carro. Com certeza a mãe dele deve tê-lo ensinado a não andar com estranhos. Pensei se a minha pequena Alice também já aprendera essa regra básica -. Confie em mim - disse já abrindo a porta do carona para ele. Olhei e vi que o semáforo acabara de acender a luz verde. Ele deu a volta rapidamente e pulou no banco prendendo o cinto de segurança em volta do corpo.

Fomos do Setor Oeste para uma lanchonete no centro. "Eu já ia lanchar mesmo, então por que não levar o pequeno?" pensei.

- Qual o seu nome garoto?

- Maurício, senhor.

- E onde está a sua mãe? - Perguntei. Ele emudeceu enquanto olhava pela janela. Devo ter tocado num assunto triste, no mínimo. O silêncio foi nosso acompanhante até chegar à lanchonete. Não ficava muito longe de onde encontrei o garoto. Estacionei o veículo e descemos para a calçada. Ao entrarmos e sermos atendidos, perguntei o que ele queria comer. Ele ainda mudo apontou com o dedo um americano de presunto e queijo. Pedi dois americanos e um refri de 600ml para dividirmos. E dois copos. Nos sentamos e eu perguntei:

- Você mora onde?

- Moro no... - Ele me fitou nos olhos, desconfiado -. Por que o senhor quer saber?

- Ora, eu sou taxista, se lembra? Posso te levar para casa.

- Não quero ir para casa! - Disse resoluto enquanto comia

- Por quê?

- Porque fugi de casa! - Disse sério, olhando para o copo de refrigerante. E calou-se.

- Gostaria de saber por que você, um garotinho tão miúdo, fugiu de casa.

- Você não entenderia o porquê - respondeu ele ainda admirando o refrigerante borbulhar no copo.

- Ora, nunca saberemos se não tentar, não é? - Eu o encorajei. Ele suspirou e disse:

- Papai bateu na minha mãe, aí eu quis defender ela, aí o papai quis me bater e aí eu fugi.

- Quando foi isso?

- Hoje, de madrugada.

- Ele estava bêbado?

- Estava.

- E bateu em você?

- Eu disse que fugiu, não ouviu?

- E a sua mãe?

- Num sei. Deve estar em casa.

- Você tem irmãos?

- Não. Sou filho único.

- Quantos anos você tem?

- Nove.

- E onde mora?

Ele me deu seu endereço que gravara de cor. Prometi que ia levá-lo para casa. Ele ainda não quis. Convenci ele de que tudo já deveria estar bem; que o pai estava sóbrio e que não tinha problema algum. Ele me rebateu dizendo que seus pais brigavam quase todo os dias. Respondi que casais brigam mesmo e que não devemos entrar nas brigas de um casal. Na volta para casa ele estava mais falante do que antes. Disse que morava numa casa de portão verde, e que do lado da sua morava um amiguinho seu:

- Qual é o nome dele?

- Jeremias. É do meu tamanho e tem olhos azuis. A mãe dele se chama D'Alva e é muito legal, ela. E também tem olhos azuis. Eu e ele brincamos na rua de casa de várias coisas como bola, pique-esconde, pique-pega, pique no ar, polícia e ladrão, pipa... - E sorri ouvindo aquela inocente criatura narrar suas brincadeiras tão simples que brincava com seu melhor amigo. Minutos depois chegamos a casa do Maurício. Ficava numa rua da região leste de Goiânia e foi ele quem me guiou durante todo o caminho. Ele me mostrou onde ficava sua casa e, com um sorriso, me confirmou a cor do portão:

- Viu só? Eu não disse que era verde? Obrigado, seu moço. Tchau! - Ele desceu do carro e bateu no portão. Uma mulher morena, baixa, magra e com os olhos um tanto tristonho veio abrir o portão.

Não esperava pagamento, é claro. O que fiz, fiz como um ato de solidariedade. Todavia fiquei olhando os olhos tristonhos daquela mãe e vi um que de sofrimento e angustia." Será que era pelo filho perdido? Bom, deve ser", pensei. Dei a partida no carro e corri para o meu ponto, e no caminho recebi uma chamada no radio-taxi, me encontrei com um cliente, no Centro e esqueci do garoto e da sua mãe. Dias depois eu estava almoçando num restaurante baratinho aqui do Centro, quando uma reportagem na TV me chamou a atenção:

"Mulher, no Jardim Novo Mundo é morta com três tiros no peito pelo marido. Filho de nove anos vê tudo e foge."

A barbaridade do crime me assustou, mas o que me fez gelar a espinha e ficar chocado foi a imagem do portão verde da casa da mãe de Maurício. Sim, era o portão verde que o garoto me disse, não havia duvidas. A repórter, uma moça bonita e bem-vestida, continuou a reportagem e as imagens focaram numa foto 3x4 de uma carteira de identidade. Era, sem duvida a mulher que vi abraçar o pequeno e esperto Maurício Estava mais jovem, mais bonita, sem sofrimento, mas ainda era a mesma mulher. A repórter entrevistou uma senhora de cabelos castanhos e olhos azuis e o nome dela " Estrela D'Alva de Magalhães Filho" aparecia no vídeo. Era a mãe do amiguinho dele: Jeremias. A repórter voltou a falar em off:

" O pequeno Maurício José Ciano Freitas, de nove anos viu o crime, e assustado fugiu de casa aos choros. Os vizinhos ouviram os berros da criança, saíram à rua e conseguiram deter Amilton José Ciano Freitas, de  32 anos, e chamaram a polícia, que o prendeu em flagrante. O garoto continua desaparecido e a polícia está a procura dele."

Apareceu no vídeo, enquanto a voz da repórter estava em off, a foto do meu amigo desaparecido, o Maurício. Um garoto moreno, cabelo crespo, olhos negros alegres e inocentes. Estava sentado num sofá puído, antigo. Com certeza em festa de Ano Novo ou Carnaval, pois a foto demonstrava ser recente. Não consegui mais almoçar pensando onde estará aquele garotinho agora. "Será que já tinha pelo menos comido?", pensei. " Que barbaridade, o pai matara a mãe com dois tiros no peito na frente do filho!"

Olhei em volta e vi que todos no restaurante estavam estarrecidos com a reportagem. Alguns diziam "Que horror" e outros " Isto é o fim do mundo!", e até o garçom resmungou " pobrezinho do garoto!". Mas quando a reportagem acabou todos fizeram questão de tirar isto da cabeça e do prato e continuar comendo, exceto eu. Estava já sem fome. Eu comecei a sentir remorso. Eu poderia ter evitado o ocorrido. Era só denunciar para a delegacia da mulher. Hoje a mulher estaria viva e ao lado do seu filho. O monstro do pai estaria preso. Mas foi minha negligencia que ajudou a acabar com essa família Sinto-me culpado indiretamente. Fui cúmplice de um assassinato pois sabia o que ele fazia e ainda assim não fiz nada. E agora há um garoto perdido em algum lugar da cidade. Talvez com fome, talvez aliciado por traficantes, por bandidos, por pedófilos...Enfim. Eu tinha o dever de procurar o garoto.

No dia seguinte não tinha encontrado nem o rastro do garoto. Sumira, evaporara. No dia seguinte também nada, e no seguinte também..Já virei esta cidade de cabeça para baixo e nem sinal do Maurício A foto dele continua a circular entre os comerciais de TV, no Utilidade Pública. Continuarei a procurar o garoto, pois quero adotá-lo. Minha esposa, minha filha de quinze anos e eu ficaríamos muito satisfeitos em abrigá-lo em nossa família Mesmo assim ele já mudou meu jeito de ser e de pensar, pois nunca mais serei complacente, ou farei vista grossa quando ver, ou souber que algum homem agrediu fisicamente uma mulher. Será por ele, o pequeno Maurício que teve uma linda infância estragada, e por aquela mulher que teve sua força, beleza, juventude e vida sugadas e arruinadas por aquele facínora, que eu a partir de hoje, serei mais consciente com a família e com a vida.