Baiana de Urandi, LÊDA SELMA (de Alencar) é membro da Academia Goiana de Letras (cadeira 14), Associação Nacional de Escritores, União Brasileira de Compositores e União Brasileira de Escritores/GO. É graduada em Letras Vernáculas e pós-graduada em Linguística.
 

Poetisa, contista, cronista, assina, aos sábados, crônicas no Diário da Manhã. Integra várias antologias nacionais e internacionais. É verbete em diversos trabalhos críticos goianos, e, também, em obras de alcance nacional: Dicionário de Mulheres, de Hilda Agnes Hübner Flores, Porto Alegre/RS; Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras, de Nelly Novaes Coelho, São Paulo/SP e Enciclopédia de Literatura Brasileira, Afrânio Coutinho/J. Galante de Sousa, São Paulo/SP.

Participou, com noites de autógrafos, em várias bienais internacionais de livro e atualmente, é Primeira Secretária da Academia Goiana de Letras e Diretora Cultural do Goiás Esporte Clube. Publicou 14 livros (7 de poemas e 7 em prosa).

Obras Literárias:

Poemas – Das sendas à travessia,1986; A dor da gente,1988; Fuligens do sonho, 1990; Migração das horas, 1991; Silêncios de viento y mar (bilíngüe/co-autoria), 2003 e À deriva, 2005
Ensaio – Erro Médico: uma ferida social, 1991 (compôs bibliografia em tese de Mestrado e Doutorado – medicina/Ribeirão Preto e odontologia/Goiânia)
Crônicas/Contos – Pois é, filho... - 1997 (3ª edição)
Contos – Nem te conto...! – 2000
Crônicas – Até Deus duvida – 2002
Contos/crônicas – Hum... Sei não!

 
           
Projetos:

– Poesia em doses – poemas de autores goianos nos muros – foi matéria na    
   Revista ISTO É e no Jornal Hoje e Jornal Nacional da TV Globo
– Poesia em doses no placar eletrônico do Serra Dourada
– Poesia em doses nos 500 anos do Brasil (banner)
– Poesia em doses em cartão telefônico (parceria com a antiga Telegoiás)
– Poesia em doses: fomes zeros (troca de alimentos por um livro de bolso com      
   poemas de autores goianos).

Prêmios/homenagens/recentes:

 
Prêmio BEG de Literatura (Conto) – Goiânia        
Prêmio BEG de Literatura (Crônica) – Goiânia
Medalha Anatole Ramos (Prosa) – Conselho Estadual de Cultura/GO  
Medalha Leodegária de Jesus (Poesia) – Conselho Estadual de Cultura/GO 
Troféu Tiokô (gênero poesia) – União Brasileira de Escritores/GO 
Mérito Cultural (conjunto da obra) – União Brasileira de Escritores/RJ
Troféu Goyazes (Crônica) – Academia Goiana de Letras
Homenagem Especial – PEC – Banco do Brasil
Honra ao Mérito Marista – Colégio Marista/GO          
Mérito Especial: destaque na literatura goiana – Câmara Mun. de Urandi/BA
Mulher Destaque – Soroptimist International of the Américas/ S. I. Goiânia Sul
Reconhecimento Rotário – Rotary Club Goiânia Serra Dourada
“Aplauso e Reconhecimento” – Colégio Shallon/GO
Elas: mulheres de Goiás – Senado Federal
Dia Nacional do Artista – destaque na literatura – Companhia Rhema/GO
 

Títulos:

Cidadã Goianiense – Câmara Municipal  – 2002
Cidadã Goiana – Assembleia Legislativa – 2003

Crônica:

 O Velório do Velho Hilário

Nunca vi tamanho bom humor. De dar mesmo água nos olhos (de tanto rir, claro!). Hilário (de nascença e de registro) tornou-se, logo cedo, um desassossego para as donzelas, e, em especial, para aquelas mais afoitas por uma venturosa e breve desdonzelice. Aos pais das ansiosas aspirantes às vias de fato, cabia somente, e com a premência devida, colocar as barbas, ou qualquer outro similar, de molho, toda vez que o moço, esbelto no físico e na sensualidade, saísse às ruas.
 

Hilário, que ainda carrega no porte restos maduros de uma beleza outrora jovem e instigante, jamais perdeu o jeito brincalhão ou a espirituosidade:
 

– Estou fabricando e vendendo açafrão a preço de amarelar a concorrência. E, ainda por cima, na promoção: um saquinho custa dois contos, dois saquinhos, cinco. É pegar sem titubear. Ah! outra coisa: moça bonita não paga, mas... leva. Sim, uma sova, que é pra deixar de ser exagerada nas alegorias.
 

Entretanto, uma de suas extravagâncias teve a forma de convite. E que convite! Um convite estranho e personalizado. De eriçar até mesmo cílios e sobrancelhas. Um convite feito individualmente pelo próprio. Sim, ele, em pessoa, ziguehilariando, de um lado a outro, com a firme missão de arrebanhar convidados. E com o maior entusiasmo:
 

– Quero você e sua família no meu velório, amanhã à noite. Vai ser algo do outro mundo. Um encontro de espíritos animados e de almas enlevadas. Com direito a churrasquinho, cerveja gelada, bate-pança e rela-ossos. E com sobra de alegria, de música e de flores. Sem choro e com vela. Muita vela. Uma para cada convidado, como lembrança do velório. E aquele cheiro de cera derretida, misturado ao das flores e da saudade, hum... arrepiante!
 

– Seu velório, amigo? Mas, o que é isso? O senhor tem uma saúde de aço. E não é bom brincar com essas coisas; dizem que existe um anjo caduco, xodó do Todo-Poderoso, que fala amém a tudo. Por via das incertezas, melhor não bobear: vai que ele diz amém justo na horinha... Aí, o desacontecido pode acontecer: o amigo dorme vivo e acorda morto.
 

– O convite tá feito e faço questão de sua presença, senão volto aqui pra lhe puxar...
 

– Cruz Credo, pare com isso! Se Deus interceder, e queira que Ele interceda, o senhor nem vai; assim, não corre o risco de voltar pra puxar... arre, que conversa mais enviesada, Santo Pai!
 

– Bem, vou indo, pois tenho ainda que providenciar um discurseiro, contratar a banda de música e encomendar a água benta ao padre. Além de experimentar o terno preto, confeccionado especialmente para o evento. Até amanhã, à noite, então. E se assunte, homem: não ouse desfavorecer meu velório com sua ausência, hem?
 

Um acontecimento e tanto, que fez a noite até perder a hora e se entranhar na madrugada. Os convivas, curiosos e intrigados, imiscuíam-se entre flores e velas. Tudo perfeito, uma beleza, conforme o desejo do anfitrião: a bênção do padre, o prefeito a cuspir um discurso eleitoreiro e a banda impingindo um toque solene à cerimônia. Um luxo!
 

Ah, sim, o velório?! Inesquecível! Vela que não acabava mais. De todas as cores, tamanhos e formas. Para todos os gostos e bolsos. E à prova de apagão.
 

O velho zombeteiro queria algo hilariante e espirituoso. Bem à altura de sua merecida fama. E se divertiu bastante com aquele achado original. E, para cada chegante, a surpresa...
 

– Bem-vindos ao Velório do Hilário! Por que tanto sobressalto, uai? Afinal, onde se vende vela é o quê? Velório, ora essa!