Nascido em Araxá, MG, no dia 22 de agosto de 1930. Filho de Delvo e Artemira, 1o. filho de 13, veio com a família para Goiás em 1931. Médico formado pela UFMG. Ex-professor da UFG, no Departamento de Pediatria, exercendo funções administrativas, como Vice-Diretor da Faculdade de Medicina, Pró-Reitor de Graduação e outras. Seu  nome literário passou a ser Fausto Valle, estampado na capa dos últimos livros.Durante quase 10 anos, foi diretor do jornal Voz do Oriente, órgão oficial do Grande Oriente de Goiás, no qual publicava seus artigos maçônicos. Ao mesmo tempo, coordenou durante 6 ou 7 anos, pela Maçonaria, o Concurso de Contos: Professor Venerando de Freitas Borges, em homenagem ao maçom e primeiro prefeito de Goiânia. Escreveu uma peça mística para a Ordem Rosacruz, encenada em Brasilia.  Escreveu vários textos para teatro de bonecos (mamulengos) e algumas monografias para a Ordem Juvenil. A AMORC tem os direitos autorais de todos esses trabalhos. Participação em Antologias: A  Fonte do Sal (1988). Livros de Poesia: Cravos Sobre a Mesa (1992), livro este que recebeu menção honrosa no extinto Concurso José Décio Filho. Relógio de Areia (1998), prêmio Bolsa de Publicações Wilson Cavalcanti Nogueira, da Fundação Cultural de Pires do Rio - 1997. Aldeia Absurda (1999) e Poemas Dispersos (2005). Livros de Contos:Confraria dos Marimbondos (2001); Um Boi no Telhado (2005); Além do Vão da Janela (2009). Prêmios Literários:Troféu Goyazes, concedido pela Academia Goiana de Letras, 2004; Troféu Tiokô, Literatura, concedido pela UBE 2009; dois prêmios de Melhor Texto, em duas oportunidades, no Concurso de Poesia  falada, da Fundação Cultural de Pires do Rio - GO.  Diploma honorífico de Cidadão Goianiense, conferido pela Câmara Municipal de Goiânia.
 

Poesias:

Farol

 
Flor amarela na praia,
Farol à luz do sol.
 
Ir sem rumo, não explicar
Porque luz amarela é farol. 

As coisas são como são
E eu penso nelas sendo

Como quero que sejam:
Um farol e tudo o mais.

 

Dispersão

 
Eu estava ali,
Sem ficar, às tontas,

A mulher veio
De onde não sei,

De repente grita
"meu poeta" e se vai,

Eu fico um minuto
Longe dali,

Sem saber o que
Move certa gente

A ser tão dispersa
Como eu.

 

 Definição

 
O poema
No avesso do som, 
No refúgio do silêncio.

Não espero sol
Nos versos que gesto.

Defino a margem
Na sombra.

 

 Castelo

 
O artista molda seu castelo na praia.
Que proveito tiras esculpindo a areia?
Nenhum, diz — e acompanha, no azul,
O silêncio do vôo infinito da gaivota.

 
Silêncio

 
Meu silêncio é de dentro,
Não ausência de sons.
Silva o vento e eu escuto o vento,
Sem falar na sonoridade
De meus oblíquos passos.

 
Meu silêncio atroa nos cantos
Escuros do ser aturdido,
Ajunta-se a outros silêncios
Que me acompanham na vereda
Por onde caminho, perdido.

 
Meu silêncio deixa-me vígil,
Como se mil tambores surdos
Percutissem meus pobres tímpanos.
Meu silêncio retumba na estrada
E, um dia, ecoará na tumba.


Gritos na Noite

 
Um grito cinde o crepúsculo
E gritos invadem o quarto.
A noite invade o domínio
Dos gritos, sangra o crepúsculo,
Rebelam-se as sombras das cores.

A cor dos gritos, a cor da noite
É selvagem como o crepúsculo.
O silêncio, o imprescindível silêncio
Oculta os gritos dentro da noite.