Nasceu em Paraúna, GO, no dia 26 de fevereiro de 1931. Filho de Floriano Gomes da Silva e Ordália Ferreira da Silva. Fez os estudos primários e secundários em sua terra natal. Foi aluno interno do Ateneu Dom Bosco, em Goiânia. É bacharel em História e Direito. Lecionou no Colégio Estadual Professor Pedro Gomes, em Goiânia e no Ginásio Otaviano de Morais, de sua terra. Professor de Teoria da História e Teoria da Literatura na Universidade Federal de Goiás. Militou no jornalismo, sendo durante vários anos, diretor do Suplemento Literário do jornal O Popular. Desempenhou várias funções públicas, como diretor do Departamento do Ensino Médio. Aposentou-se como juiz de direito. Pertence à Academia Goiana de Letras, Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, União Brasileira de Escritores de Goiás, Associação Goiana de Imprensa. Foi membro do Conselho Estadual de Cultura.

Obra – História e Literatura, ensaio. Goiânia: Departamento Estadual de Cultura, 1968; As Horas e os Minutos, crônicas. Goiânia: Departamento Estadual de Cultura/Editora Oriente, 1971; Aspectos da Cultura Goiana, antologia de artigos, em parceria com Ático Vilas Boas Mota. Goiânia: Edição do Departamento Estadual de Cultura/Editora Oriente, 1971; A Independência do Brasil e seus reflexos em Goiás. Goiânia: Editora Oriente, 1972; Estudos de História de Goiás, ensaio. Goiânia: Editora Oriente, 1974; Um rio dentro dos olhos, crônicas. Goiânia: Cerne, 1977; Estudos de Literatura Goiana, ensaio. Goiânia: Centauro Gráfica e Editora, 1979; As contas do rosário, romance. Prêmio Bolsa de Publicações José Décio Filho, Goiânia, 1983; O pó da tristeza, contos. Goiânia: Editora Kelps, 1997.

 Conto:

São Baltazar...
 

Eu sei de uma moça que quer se casar. E já fez mil promessas. E já fez as promessas devidas para encontrar o rapaz de seus sonhos. Outro dia, ela rezou a oração para que eu tomasse conhecimento de seu interessante conteúdo.
 

- São Baltazar: me ajude a casar.
 

No pedido simples, aparece a ânsia de encontrar marido, embora desprezando Santo Antônio.
 

- São Benedito: quero um rapaz bonito.
 

Ora, o mundo anda cheio de sujeito feio. De que adiantaria pedir cabra honrado e bom, porém feio? Não teria graça.
 

- São Bento: que seja ciumento.
 

Tem sua lógica e aí entra o eterno feminino; a maneira particular de ser das mulheres, até o egoísmo das mulheres: marido ciumento não dispõe de tempo para se dedicar às paqueras, já que fica sempre envolvido com a própria mulher no pressuposto de que a cara-metade passa dar algum passo em falso.
 

- São Luiz: que ele me faça feliz.
 

Tem o direito de pedir...
 

- São Joaquim: que ele goste de mim.
 

Dependerá dela...
 

- São Romeu: que ela seja só meu.
 

Ah, qual a mulher que se conforma em dividir seu homem com outra mulher ou mesmo com homem?
 

- Gabriel: que ele seja um mel. Não, não: mel é próprio mesmo de mulher.
 

- São Bernardino: que ele me ajude a fazer um menino.
 

O menino seria o coroamento de um amor tão puro. O menino comporia o hino do destino do mezanino do divino esplendor.
 

- São João: que ele seja gostosão.
 

Em que sentido? Literalmente?
 

- São Conrado: que não seja virado.

Cada qual pede o que deseja.
 

- Santa Tereza: que na hora agá, não tenha incerteza.
 

Garanto que não terá.
 

- Santa Inez: que resolva tudo de uma vez.
 

Assim seja...
 

- São José: quero que esteja sempre de pé.
 

Não seria exigir muito? É preciso maneirar...
 

- Santa Raimunda: que não me confunda.
 

Nem seria a hora...
 

- Santa Marieta: que meu futuro marido seja bom de caneta.
 

Tomara que seja...
 

-São Bartolomeu: que seja só meu.
 

Será?
Nem sei dizer.
Mas ela pediu, e isso é tudo.
 

(Publicada em 20/06/2008, Jornal Diário da Manhã)