Se os casais soubessem o quanto é importante que eles estejam em sintonia na relação tanto no cotidiano quanto na intimidade para evitar que os filhos sejam pegos para tentarem resolver suas decepções e insatisfações individuais e relacional dariam mais atenção ao assunto.

Por óbvio, sempre existirá desconforto num relacionamento, mas o importante é que os envolvidos tenham consciência de que, isso, se não tratado a ponto de ter um certo equilíbrio contaminará sistemicamente toda a família, e, o filho pego para tentar reorganizá-la pagará alto preço, pois poderá permanecer infantilizado na sua vida íntima.
Homem crescido, porém, imaturo e infantilizado quando o assunto é partilhar a sua vida com uma mulher adulta que não seja a própria mãe. Aliás, muitos nem sabe como seria isso!
Não conseguem assumir a vivência a dois no modo pleno com todos os prazeres e afazeres que uma relação proporciona ante a ligação, inconscientemente, com a genitora, não na condição de filho e sim com a 'missão', dentre outras, de tentar salvá-la do seu algoz (o próprio pai ) e conquistar o seu amor.
O cuidado para com a mãe é algo elogiável principalmente em época em que respeito é coisa pouco vivenciada no trato entre ela e os filhos, contudo, quando a energia, foco, preocupação, ocupação, dedicação, afeto, tempo e outros são canalizados com prioridade  para ela, inserir a mãe significa excluir a parceira, é bom ficar atento, pois entre ambas não pode haver concorrência por uma não poder ocupar o lugar da outra!
Na condição que não lhe pertence, esse filho, vivenciará com a mãe o seu lado marido e ela será a sua esposa, mas como eles não podem ter encontro íntimo ele buscará uma outra pessoa para ser então a sua amante.
Assim, a pessoa que com ele se relacionar terá que ter esse perfil, geralmente,  inconscientemente, e resultado de ela 'ser filhinha do papai', ou seja, está para o pai do mesmo jeito que ele para a mãe. Isso, poderá perdurar a vida toda se nenhum dos envolvidos (ele e a amante) amadurecerem a ponto de alguém desejar um relacionamento em que amor e sexualidade estejam integradas e canalizadas de um para o outro.
Nesse triangulo 'amoroso' todos perdem, o pai do salvador que o verá como rival,  a mãe, por não ir ao encontro de uma pessoa com quem ela possa efetivamente partilhar o 'ser mulher' ou resolver essas questões com o verdadeiro marido, os outros filhos que podem se afastar dela, a amante que não poderá fazer projetos fora da cama,  além de o 'filho escolhido e predileto', perder a oportunidade de se tornar um homem adulto e capaz de experimentar uma vida também adulta junto a uma mulher que já se encontre nessa fase, formada pela força do amor que une-se à atração sexual.
Muito difícil ele sozinho, sem uma ajuda terapeuta, conseguir colocar a mãe no lugar dela para que ele vá ao encontro da sua transformação de 'salvador', 'filhinho da mamãe', 'pipi de ouro' em um homem adulto.Mas é totalmente possível e com a ajuda da parceira ficará mais fácil ainda. Tente! 
 
* Selma Arau é autora do livro "Boa de Cama"