Se você é um dos atraídos somente pelo impacto causado pelos títulos: parabéns! Não foi intencional. Mas garanto que a reflexão de hoje realmente compensa!

Nosso país está repleto de notícias extraordinárias. Dignas de centenas de livros, filmes e seriados. Caixas eletrônicos explodidos, execuções, bandidagem, fraudes, corrupções, assaltos, histórias de superação (como a do ouro da judoca), amor, tragédia esquerdista grega pelo inveterado golpe, manifestações recentes, artistas de rua e pra não dizer que não falei das dores, os sofrimentos dos pacientes de hospitais.

Quando o WhatsApp é bloqueado, verdadeira celeuma se instala. Brados pela liberdade de expressão e comunicação são ampliados nas ruas a plenos pulmões. Nas redes sociais imperam as bonitas fotos da arte de ficar bem na fita. Até mesmo um ato de benevolência é instigado ao desfrute dos sagrados lazeres. Bate a chapa! Flash! Curtiu (hoje há diferentes tipos de reações aos inúmeros emoticons), comentou, compartilhou. Buscando massagear o ego alimentados pelos likes (estou quase entrando no tema do apocalipse zumbi! Espere aí!).

Tem gente que se sente tão frustrado, tão sem chão, como se um pedaço de sua alma e do seu corpo fosse arrancado e jogado no abismo mortal que leva todos os ansiosos por informações excessivas. Há alguns anos já existem psicólogos especializados no vício causado pela internet e pelo mundo virtual. Empresas ecológicas fazem trabalho de desintoxicação dos dependentes desse vício moderno. Hospedam por dinheiro em suas chácaras (sem Wi-Fi e celulares) esses seres humanos ciscadores de tela, apertadores de botões, deslizadores de touch screen (não saia daí, o apocalipse zumbi está chegando!).

Recentemente minha esposa saiu de todos os grupos de whatsapp. Logo ela que seria, num futuro distante, mais antenada do que as senhorinhas da propaganda. Reafirmo: logo ela que clicava em tudo o que era enviado, ainda que fosse um convite para jogar Candy Crush. Hoje a vejo mais aliviada e livre, como se tivesse soltado das amarras e correntes dos raros (porém, possíveis) viciados nas drogas. Agora sim: o apocalipse zumbi.

Salvo engano, no fim da década de 1960, o filme de terror A noite dos mortos-vivos popularizou esse ser criado pela imaginação do homem há vários séculos. Seu conceito, (como uma pessoa que morreu, mas permanece andando por aí como se estivesse viva, devorando carne humana) tem origem africana na palavra nzumbe. Em tese, o ser estaria possuído por um espírito maligno, ou seria controlado por um feiticeiro adepto do vodu ou de outras práticas ocultistas.

Os zumbis (hoje na moda em livros, filmes e jogos) andam lentamente, tropeçam nos objetos, mas não desistem e não param nunca. Andam de cabeça baixa, arqueados, e se alimentam da podridão e da morte, alheia ou própria. De fato há várias coincidências com seres humanos com a cela dos celulares, plugados em aparelhos com internet, pescoços curvados, vendo o mundo real somente pelas telas, sem interagir. Está escasso o olho no olho, o toque, os assuntos mais complexos. As conversas de hoje, monossilábicas, como os grunhidos dos zumbis, assolam nossa língua e nossa antiga força de expressão.

Em poucos dias de existência, o aplicativo usado para caçar Pokemons, foi instalado e usado por milhões de pessoas. Seguem distraídos, mesmo nas madrugadas, causando acidentes, sendo furtados, caindo de penhascos e edifícios. Tudo porque não conseguem ver o caminho por onde andam. A conversa “na moda” dessa praga, que tem causado um surto coletivo, é saber quantos bichos, quantas batalhas e outras coisas relacionadas a esse mundo.

Apocalipse! Acabou-se a interação nas mesas, nas ruas não há cordialidade nem conversa coletiva. Muitos ainda se enclausuram por trás de óculos solares, com fones de ouvido e sem o menor interesse pelos conhecimentos tão necessários e básicos do cotidiano. Até mesmo em rodinhas de mesas e restaurantes, onde se estabelecem vínculos, há rupturas a todo instante pelos celulares. O final da era moderna se iniciou com a profecia do apocalipse zumbi, todos enquadrados e encarcerados nos selfies e nos seus mundos virtuais. Até a próxima página!

 


* Leo Teixeira
(texto sem revisão!!!)