Goiás tem escritores que os estabelecimentos de ensino deveriam valorizar. Não no sentido de obrigar a leitura de obra indicada, mas de permitir opções aos estudantes, escolhendo o que lhes despertaram a preferência. Há vários autores goianos de excelentes livros. E no caso de hoje é lembrar que possuímos entidades culturais respeitáveis, e que muitos lutam para delas participar. Recentemente, três batalhas culturais. Comecemos pela UBE (União Brasileira de Escritores), seção de Goiás, situada à Rua 21 nº 262, no centro de Goiânia, chamada de “Porto do escritor”. No último páreo dessa entidade foi reeleito seu presidente Edival Lourenço. Romancista e poeta, ele já dissera: “Tenho inveja, como tenho!/ Do poeta sem versos/ Do escritor sem escritos/ Do pintor sem pinturas/ Do pródigo sem voltar/  Do que coleciona ideias/ Que jamais serão concretas/ Do que não realizar nada/ E não decepcionar nunca/ Porque dele nada ninguém espera./ Do que joga pedras pra cima/ E com a cabeça apara./ Do que troca a neura/ Por um rosário de ternura” (trecho poético do livro “As vias do voo”). O discurso da posse na UBE coube ao inteligente e versátil acadêmico Ubirajara Galli.
   
A outra batalha foi na AGL (Academia Goiana de Letras), para preencher vagas de duas cadeiras. Numa ganhou Gabriel Nascente, lutador, de pessoa pobre a escritor de prestígio. Conta ele que quando lançou seu primeiro livro, “Os gatos”, em 1966, não tinha nem caneta para os autógrafos. Fora isso, tem boas recordações: foi redator de textos de orelhas de livros da paulista Editora Martins, e trabalhou na redação do jornal Folha de S. Paulo. O poeta tem versos originais: “Este barulho, amigo,/ é da paulada dos abates,/ é da freada dos loucos,/ é do varal de roupas,/ é da espingarda./ Este barulho, amigo,/ é do ladrão,/ esmagando a cabeça/ da flor” (do livro “A torre de Babel”).
   
Para a segunda vaga da AGL foi eleito Iuri Rincon Godinho, jornalista e escritor, que lançou recentemente “Imune a tempestades”, sobre a vida de Venerando de Freitas Borges, o primeiro prefeito de Goiânia, um pai de seis filhos que assistiu a morte de cinco. A obra retrata a infância pobre do consagrado homem público, que fugira de um internato e que acabara se formando como contador em São Paulo.
   
Parabéns, Edival Lourenço, por continuar à frente da seção goiana da União Brasileira de Escritores. Parabéns, Gabriel Nascente e Iuri Rincon, por se tornarem acadêmicos da AGL.
   

Sem dúvida, os artistas da escrita enobrecem a alma. Que o diga quem tem sentimento. Ler é viver.