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Caroline Almeida - Editora do DM - Revista

 

Delermano Vieira é um dos  escritores goianos mais premiados em festivais de literatura pelo País. Goiano de Caldas Novas e autor de obras de diferentes estilos da poesia e da prosa – novelas, contos etc –, Delermando investiu  no realismo fantástico para conquistar seus leitores. O gênero, popular especialmente entre os jovens, possui elementos inverossímeis, imaginários, distantes da realidade dos homens. Uma causalidade de caráter mágico liga os acontecimentos no decorrer de uma narrativa desse tipo. Mas, apesar do suspense característico, Delermando explica que não usa terror em suas narrativas: “Quem gosta de Stephen King vai se interessar, só que não vai sentir medo como ele propõe.” Em contos como If, A presa e Cartago, o autor mescla suspense e poesia em enredos curiosos. A linguagem, quase sempre descritiva, dá poucas pistas sobre o desfecho inesperado. “A prosa me atrai muito pelo fato de exigir mais inteligência e raciocínio, e por usar a poesia também”, confessa.

O livro O Senhor Ivan Huskoff,  é uma coletânea de 18 contos de mistérios. O conto que dá nome ao livro é o mais escabroso, segundo o escritor. Traz os mistérios de um milionário estrangeiro que vive em uma cidade do interior, onde todos pensam conhecê-lo, até desvendarem sua morte trágica. Cheia de surpresas, a história reflete sobre rotulações, preconceitos e sobre a psiquê humana. Todos têm segredos ocultos, mistérios que revelam que ninguém é totalmente inocente ou culpado, bom ou mau. Outro destaque é Bolha dágua, preferido de Delermando Vieira, que trabalha com sensíveis metáforas e outras figuras de linguagem. O protagonista é um jovem que por circunstâncias especiais vive dentro de uma bolha, mudo e sem contato com o ambiente.
 

Delermando Vieira é um dos escritores goianos mais premiados em festivais pelo Brasil. Ao todo, são mais de 103 medalhas e troféus em cidades como Fortaleza, Alfenas, Salvador, Franca, Passos, Porto Alegre, dentre outras. O último deles foi esta semana, no 42º Festival de Música e Poesia de Paranavaí, no Paraná. O livro Comédia Profana, uma seletiva de poesias, deu ao goiano o destaque na categoria, deixando para trás cerca de 480 inscritos. Outro escritor regional, Laércio Nona Bacelar também foi premiado na categoria contos, com Fiat Lux. Ele acredita que os festivais fazem hoje o que as editoras deveriam fazer, mas não abrem espaço. “A literatura brasileira se destaca pelos concursos que acontecem em todo o País. Grandes editoras publicam mais pelo contato do que pela seleção de novos talentos” Afirma Delermano.

Professor de Literatura e Língua Espanhola e também graduado em  Francês o escritor, confirma o amor pelas letras: “Esta é minha paixão!” Delermando começou a escrever aos 13 anos e aos 16 já tinha certeza da vocação e decidiu seguir carreira. Precoce, com 9 anos leu o primeiro livro, nada menos que Os Sertões, de Euclides da Cunha. outros obras incriveis são:  O dromedário e Às vésperas da peste, e o Prêmio Hugo de Carvalho Ramos, Os tambores da tempestade.  O escritor soma ao todo 16 obras e não pensa em parar jamais. “Fazer literatura para mim é existir e exige muita sensibilidade para criar. Por isto, faço por amor e não para ganhar dinheiro”. Conclui Delermano Vieira.

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