Custei a me curar de uma gripe que me fez cair na cama por três dias. Pudera! Não me vacinei. Fiquei em casa o tempo todo, e aproveitei-me para ler, e colocar meus escritos em dia. Lembrei-me que gripe igual a essa tive em Osaka, no Japão, quando de minha estada naquele país em outubro de 1989. Não pude sair do quarto do Hotel Hanshin. Minha intérprete, com muito cuidado, usava uma máscara para não se contagiar. Numa das suas visitas me chamou à parte para me explicar que lá eu deveria ter cuidado para não ferir a etiqueta. E, com um sorriso de quem não queria me ofender, falou que é considerada uma ofensa, na terra do “sol nascente”, assoar o nariz em público: espirrar, então, é visto como extrema descortesia. Na época, – disse-me – que o chefe do protocolo do imperador Akihito, concedendo uma entrevista, admoestou que um pequeno ruído do nariz é considerado apenas mais educado do que um ruído do traseiro. Depois dessa conversa polida, fiquei prevenido, e não saí do apartamento. Eu, hein! Em Tókio, na avenida Ginza, das luzes coloridas, dos neons, dos shows inimagináveis, entrei num restaurante para almoçar na companhia de dois companheiros de viagem. O Japão é, realmente, um paraíso para o gastrônomo. Mas eu, com receio dos pratos adocicados, os escolhia com cuidado. Cansado de comer sukiyaki, sushi e tempura, resolvi, para variar, comer frango, ou melhor, robata de frango. Como pedir o prato? Utilizei-me da mímica. Imitei o coricocó da ave, ocasionando as risadas dos companheiros. Para minha surpresa, o garçom entendeu. Por aí já dá para se ter uma noção do valor da mímica. No lançamento do Plano Nacional de Turismo, há alguns anos, dia marcado por piadas “institucionais”, o Lula, hoje em decadência, depois que Marta Suplicy deu um conselho a quem espera nas filas dos aeroportos para que “relaxe e goze”, lembrou que “esse negócio que as pessoas falam que têm que aprender a falar inglês, aprender francês, aprender espanhol, é muito bonito, mas é fantástico como as pessoas mais humildes deste país conversam em qualquer língua por mímica. Duvido que um turista chegue em qualquer lugar do Brasil e deixe de ter uma informação. Vai ser sinal, todo mundo é um pouco artista de teatro, vai conseguir explicar”. Depois dessa, acho que a criação de “escolas de mímicas” é um investimento rentável. É necessário, acho eu, que se deveria criar no nosso país “colégios de mímicas”, e, por decreto, determinar o fechamento dos cursos de idioma... Hoje, estou meio doido sem varrição...