Não é de hoje que a literatura acompanha os novos modelos de linguagem. A forma mais clara desse – vamos lá – fenômeno seria a oralidade, que por anos ficou escondida e não aparecia nas páginas de livros. Mas isso já é coisa do passado. O filósofo e jornalista espanhol Tomás Balmaceda quebrou outra barreira literária: a dos emojis – desenhos usados em mensagens pelo celular e redes sociais.


Balmaceda “traduziu” Contos da selva, publico por Horacio Quiroga em 1918 e que se transformou em um clássico infantil, para os emojis. Ainda que não sejam novos, os emojis foram criados pela empresa japonesa Do-como em 1995, eles ganharam impulso somente com a chegada dos smartphones. Essa edição ‘moderna’ será bancada por financiamento coletivo no site Idea.em.


“A escola de Contos da selva foi totalmente acidental: a filha de meu marido, de seis anos, tem o hábito de que leiam para ela antes de dormir. Quando pensei no que gostava quando era criança, recordei do clássico de Quiroga. Talvez por estar tanto tempo escrevendo e recebendo mensagens por WhatsApp e Twitter, comecei a me dar conta de que muito do que acontecia nessas páginas pdoeria ser contado em emoji”, disse Balmaceda à revista Ñ.


Apesar da empreitada, o jornalista comentou que os desenhos não podem substituir as palavras e que a experiência não passa da cristalização do “momento híbrido” que estávamos vivendo.

 

 

 

 

Fonte: http://www.parana-online.com.br/colunistas/contracapa/109698/E+SE+OS+EMOJIS+DO+WHATSAPP+SE+TORNAREM+LITERATURA

Por Jonatan Silva

Jonatan Silva é formado em Jornalismo e apaixonado por literatura e cinema. Escreve sobre o hábito neurótico e pouco ortodoxo de ler.