
Missa do galo - por Edival Louenço
Eu já devia estar em Mangaratiba, em férias;
mas fiquei até o Natal para ver
"a missa do galo na Corte".
Machado de Assis, Missa do galo
Lá está o galo
orgulhoso e circunspecto
em seu elmo de plumas
e esporas de caubói
auto-vangloriado
debaixo da coroa rubra
– roseta mística como a ornar
o instrumento que elabora
e de onde emanará
(quando chegar dia e hora)
o canto musicado
a voz solene do arauto
propalando a missa
que ficou consagrada
no conto de Machado
como a Missa do Galo.

Lição de casa em noite feliz – por Placidina Lemes Siqueira
Para Darlene do Joel.
Traga depressa, Deus,
a distinção entre o mutável e o estático,
é Tua paz:
concretize o controle da ambição,
balance o egoísmo,
retire excesso de apetite (gula, sexo)...
Tempere a fala do (des)governo sem nexo;
basta ao reciclo da safra,
o exercício para o ano inteiro,
Ser Fiel, então, devolva
minha maquete, presépio de sucata,
agora, Menino Deus,
senão eu fico de déu em deu
sem meu Papai Noel.

Natal - por Fausto Valle
Natal.
Nasce o Menino.
Morrem meninos.
Natal,
os sinos tangem
- e constrangem

Em memória de outros natais – por Aidenor Aires
Que silêncio vai nos sinos!
Calou-se rouco o menino
que embalava cotovias.
Calou-se o alaúde santo
o arrulho célico, a pomba:
assombro da prima notte -
do carpinteiro José.
Que falta faz o menino!
Sorriso de alvorada,
chovisco de água benta
e sua infância ceifada
e sua ceifada lenda.
Eu que houvera sonhado
um mundo de aguinaldos,
sigo de olhos fechados,
tenho fechados os lábios.
Não quero estrelas douradas,
não quero o gordo Noel,
das coisas todas, a oferta,
escorre em bagas de fel.
Que silêncio vai nos sinos!
Que frieza pelas mãos!
Botaram preço no riso,
e um selo no coração.
É assim que me parece
o Natal que se anuncia:
saia o Cristo do caminho,
bem-vinda seja a folia.
Quanto mais se enche o bolso
mais a alma se esvazia.
Apenas recordo o tempo
em que o menino existia,
adorado na lapinha,
sorrindo na flor do dia.
Isto foi antes de ver
o engano em que se nutria:
de querer um homem novo
da caliça do que havia.
Já não canta a manjedoura,
nem peregrinos monarcas.
Já não há leite materno,
nem jóias guardam as arcas.
Tem um berço luminoso
na Bovespa ou Petrobrás,
Farol na Bolsa de Londres,
na Dow-Jones, ou na Nikei
e Alvoradas no Planalto.
Que silencio vai nos sinos!

Natal - por Zefinha Loussa
Natal é alegria, esperança e fé.
Não existe outro evento envolvente
e belo que une os povos.
Belem de judá, entre outras
da Judéia foi a escolhida para ser
o beço daquele que nasceu Rei.
No campo a noite era escura e fria.
Os pastores cuidavam de seus rebanhos.
De repente uma luz rasga a escuridão
e o silêncio.
Ouvem vozes: "Glória a Deus nas alturas
e Paz entre os homens".
Natal é Paz, esperança e fé.
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É Natal, Nasceu o Salvador - por Zuleica Roberto
(poesia para canto)
Augusto instante em que na terra
Desceu entre nós o Homem Deus;
Como um bebê nascido de mulher
Para habitar entre os Seus.
Num momento benfazejo
Deus em Cristo é revelado.
E brilha a estrela do oriente,
Num instante mais sagrado.
Nasceu em humilde manjedoura
O sublime Deus menino,
Que do céu desceu à terra
Revelando amor divino.
Cantam anjos, cantam os homens
Um louvor ao Deus nascido;
Pois, entre brados de aleluias,
O santo Infante já é vindo.
É natal, o mundo exulta de alegria
E canta o seu canto de louvor,
Renovando os sacros votos
De fé, esperança, paz e amor.
É Natal, Nasceu o Salvador!!

O porquê do natal - por Maria Loussa
Cumprimento do plano divino
Para redenção do homem,
Obra prima de Deus.
Muitos não entendem, outros são cegos,
Os mistérios do amor,
Doação de vida para ser o Salvador.
É maravilhosa a presença da mulher
No mistério sagrado, que a valoriza,
Há dois milênios seu papel eterniza.
Cheia de graça, gerou vida,
Jesus presente no mundo opera
Ministério de amor profundo.
Todos os anos celebramos
O Natal de Cristo com alegria
Esperança renovada cada dia.
Jesus se deu por inteiro
Na cruz, por mim, por ti
Significado do Natal verdadeiro.

Lição de casa em noite feliz - Placidina Lemes Siqueira
Para Darlene do Joel.
Traga depressa, Deus,
a distinção entre o mutável e o estático,
é Tua paz:
concretize o controle da ambição,
balance o egoísmo,
retire excesso de apetite (gula, sexo)...
Tempere a fala do (des)governo sem nexo;
basta ao reciclo da safra,
o exercício para o ano inteiro,
Ser Fiel, então, devolva
minha maquete, presépio de sucata,
agora, Menino Deus,
senão eu fico de déu em deu
sem meu Papai Noel.

Por Walter Porto Almeida
Na beira de um sonho azul
me dei com o céu brilhante.
a cor de esperança lembrava o Natal.
No virar do sonho vi o Ano Novo
repleto de paz e alegrias.

Natal – por Marina Borges Taufick
A carícia leve,
o vento dengoso:
o ar que ilumina
uma doce manhã...
É Natal!
O momento de milagres
na estação das flores...
Com o correr da borboleta amarela,
entre sombras coloridas.
Eu vejo a porcelana,
a pérola,
a vida,
o nascimento de Jesus,
a pureza do céu ...
Tudo é Natal.
Chove rosas pequenas
sob os raios de sol.
E o olhar almeja:
sorrir ...
Um sonho achocolatado
nas noites orquestradas do Natal.
Um dia
hão de escrever:
música para colorir
esta natalina adolescência,
luminosa leveza.

Num Presépio - por Rafael Rubro
I
O grande Rei nasceu lá no estábulo,
Nomeio da vaquinha, do burrinho,
Dos carneiros e o galo anunciando.
O grande Rei nasceu menino pequeno:
–Menino Jesus!
II
Lá está Ele na pobre manjedoira de pau
Com palha pra amaciar o leito.
Lá está Ele de braços abertos pra nos abraçar.
III
Eu olho pra lá e me sinto dentro de todos os personagens.
Eu me vejo dentro dos pastores, cantores, reis magos,
Tua regues, beduínos, visitantes...
Eu me sinto dentro até dos animais
Que esquentavam o Jesusinho nascido
Láno presépio de qualquer lugar da Terra.
IV
Detodos os lás e aquis Ele nos abençoa
Nascendoem todos os presépios,
Quesão portas de luz...
(In: "Âmago")
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Natais de Outora - por Elizabeth Caldeira Brito
Aqui, neve não há.
E o frio que brota
dos olhos vorazes
congelam sorrisos
que teimam o silêncio.
Aqui, Noel não há.
E a ausência sentida,
na sombra da árvore,
que sonha saudade
do que foram natais.
Aqui, a estrela não guia.
Seu cadente trajeto
espatifa horizontes
na geografia.
E do céu, antes aberto,
a saudade aproxima.
Invade o passado
e o traz para perto.

Receita de Natal - por Wanderley da Silveira
Café, pão de queijo, pizza de sardinha, feijão pagão.
Guariroba cozida em postas e queijo ralado no macarrão.
Rabanada e sonhos de valsa, cerveja e vinho baratos,
riqueza pobre e simples, mas, falsa não era.
Depois da semana, semana de lenha, de lenha rachada,
sabão de cinzas, roupa quarada, que alvinha ficava, esfregada a mão,
passada com o ferro cheio das brasas vermelhas sopradas do borralho do grande fogão.
Nossa mãe, que alegria! Na boca um quase sorriso,
assobiando de esguelha, ou cantando à meia voz,
na cadência costuradora do pedal pesado de sua Singer, que, mesmo máquina de ferro, era a irmã mais velha de todos nós.
Na sala o pinheiro (já esse era falso) cheio de bolas, vermelhas, azuis,
amarelas e luzes acesas piscando de dezembro a janeiro...
Um dia a dona da casa se foi,
e ninguém ficou nem foi mais por lá, (nem a Singer de ferro)
só o cabo de vassoura do pinheiro falsário, três dezenas de bolas coloridas, fios velhos, eu e outras lâmpadas apagadas.
Agora é só deitar ao presente, os temperos desses idos e,
ao calor sempre brando da saudade, adicionar devagarzinho, ternura, duas lágrimas atuais, grossas e quentes.
Não parar de revirar o passado até que a mistura atinja o ponto certo das lembranças, bem no meio da alma, no centro da mente.
E, como tudo na vida é presto, está pronta a receita para ser servida aos seus na taça cristalina de uma prece em gratidão a Deus,
não só pela saúde, pelo teto e a comida, pelos afagos,
sorrisos e carinhos, mas, por tantas esperanças outonais que no colo-mãe da vida, ainda recomeçam nos natais...


