Hora de olhar o tempo,
esquecer as lágrimas,
bendizer o dia.
Hora sagrada de benzer
todas as feridas escondidas.
Hora de eternizar sentimentos,
sacramentar a existência,
feito quem derrama água
na tez do enfermo ferido.

Hora de tudo isso
e também de saudar os justos,
os homens e mulheres
que plantaram as boas novas,
os escolhidos pela desventura.
Hora de provar o pão
sem acidez na levedura.

Hora de ser (já temos tanto),
hora do aprendizado
nesse universo de loucuras. 
Hora de colocar flores
na ira das armas automáticas
e surpreender o mundo
com o esplêndido ramalhete 
de ternuras.