A Suave Curvatura


 

Mais uma vez a sina incomparável
Tive de ver teus seios, arte pura.
A maciez da pele, a imensurável
Placidez da suave curvatura.

O formato da linha imponderável
Que se bifurca, à quase meia altura
De seu traçado, nunca reprovável,
Entre-esconde o desejo e a ternura.

E a gente vive e sonha ardentemente
Desejando o manjar que, de repente,
Se esconde em teu regaço tão brejeiro.

Jamais, no mundo, vi coisa mais linda
E me consome esta vontade infinda
De sugá-los, um dia, por inteiro.


Acordei

Era como um vulcão
dentro de mim,
o só pensar
no teu carinho.

e foi fácil,
mui fácil perceber
que as ondas
do prazer
e da ventura
me dominavam todo o ser,
sem nem pedir licença,
quando senti,
na pele,
o calor do teu beijo
cheio,
completo, como a curva
do teu seio
ereto.
Os teus olhos
eram
como duas janelas,
de onde partiam,
do negro da escuridão,
dois focos magistrais
de luz,
conduzindo-me
o pensamento
e a mão
às curvas
sinuosas do teu corpo,
geografia
de paz
e de amor,
carinho
e salvação,
vida
e ressurreição.

E mergulhei
tranqüilo,
como criança feliz
no mundo
de invenções,
de pólo a pólo,
no mistério
de teus pelos
( como não tê-los )
e na maciez
do teu formoso
colo.

Mas, então,
acordei.
E, apenas
esmoler,
continuo a esperar
tua dádiva,
oculta
de Mulher!

 

 

 

 

Não sei
o que é mais delicado,
frágil
e inconsútil:
O castelo
ou a porcelana!

Porque se quebram
castelos de sonhos
voluptuosos
e geniais,
no chão
duro
da porcelana
rica,
chinesa,
distante...intocável.

Porque se espatifam porcelanas
esvoaçantes
como plumas soltas
do alto do castelo
e caídas
no céu
do seu telhado
gótico,
exótico,
flutuante entre as nuvens...

Olhos encantados
de porcelana,
pernas preciosas
de mármore
indigitável...
Corpo
tocável,
mas imediatamente
etéreo,
de sonho,
de desejos
que não são.
Castelos e porcelanas...
da vida 

Sonhar, Como?

Sonhar, como sonhar, se a realidade
Fere de morte atroz o devaneio?
Sonhar, como querer, se ninguém há de
Se aventurar na vida sem receio ?

Sonhar, como sentir tal louco anseio,
Se a mentira tem foros de verdade?
Sonhar, como gozar se só me enleio
Em ondas de um querer que é só saudade?

Sonhar, para sonhar é necessário
Um mundo de abstração, um estuário
De fogo e luz, egoísmo e desapego.

Somente quem tiver fé, na amargura,
E, na guerra feroz, crer na brandura,
Criará, no seu sonho, este aconchego.


 ( Do livro  “Solilóquio” )

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Castelos e Porcelanas