Geraldo Pereira, o poeta pescador
Sabia de sua sensibilidade, seu devotamento ao mundo poético, das letras e das artes, mas não conhecia nenhum de seus livros. Tive o prazer, muitas vezes, de vê-lo declamar seus próprios versos, extraídos das profundezas de seu íntimo, versos livres em palavras, magia e musicalidade. Hoje,acabo de ler sua última publicação: “Pescando versos graúdos em águas goianas”.
É um trabalho de fôlego muito bem elaborado e mostra-nos o autor por inteiro ao analisar de maneira inovadora, com competência, conhecimento e pesquisa, obras de mais de três centenas de poetas e escritores goianos. Trabalho exemplar, rico em criatividade, de um poeta... grande poeta-pescador de sonhos, paciente no ofício, que se deixa ficar à espreita, em seu barco imaginário, sobre piscosos rios goiano, vai daqui e dacolá, pescando trechos de poemas, sentimentais palavras, ora títulos de obras, escolhendo, analisando, criando para nossa surpresa, outro poema denso em originalidade e competência.
Assim temos: “...e Judite Miranda/ derrama sensibilidade/e voa nas asas da liberdade/por onde quer que ela anda/Os seus versos nos alimentam/com a Essência dos sonhos./ Com Os fios da saudade/ele tece o tecido poético./Constrói O Lar perfeito/com a argamassa do amor/contido em seu peito/E faz essa sábia Afirmação:Minha casa é meu coração.”
“Em Goiás encontrei um professor:/O poeta José Mendonça Teles, que me ensinou: No seu Encantamento/ ele me deu o entendimento/ de como se encanta os peixes/de como se faz o ceve iro/de como se prepara a isca/de como se chega ao pesqueiro/de como se pesca. No solo fértil do Chão goiano/ ele mostrou-me o caminho do rio.”
“...E a poetisa Augusta Faro sente o cheiro da poesia nas entranhas da alma/ E,com sua flauta de alfenim, chama o verso a desabrochar/ E inunda o mundo com seu perfume/ Ela canta e encanta porque:Mora em mim uma canção menina.”
“... E a poetisa Alice Spíndola/puxa O fio do labirinto e ilumina as trevas. Com A Chave de vidro/ela abre as portas da alma/ com calma/para a claridade entrar.”
“... E a romancista e poetisa Rosarita Fleury/transformou os Elos da mesma corrente em poemas/em Pétalas da mesma rosa, para desacorrentar a arte/para iluminar as Sombras em marcha/ Na sua Intimidade com a poesia/ revelou segredos/ Encorajou a vida diante dos medos. E sendo amiga da vida ela irradiou beleza por toda natureza e ganhou O Beijo da Chuva: A chuva alongou seu pescoço esguio e com a multiplicidade de suas bocas fez correr pelo lago/ um profundo arrepio. E o lago que a princípio recuara assustado/nada mais era que a boca ardente da terra a refrescar-se com o beijo molhado do céu.”
Assim segue Geraldo navegando nas águas piscosas de Goiás, um pescador-poeta, um artesão da palavra construindo, para nosso deleite, este livro, maravilhosa obra de arte.
Parabéns, caro amigo.
Maria Elizabeth Fleury
Da Academia Feminina de Letras e
Academia Trindadense de Letras, Ciência e Arte.


