A poesia tem infinitos modos de apresentar-se, um deles é através de seus eleitos preferidos: poetas, como Edir Meirelles, “nascido em Pires do Rio, Goiás, considera-se um autêntico sertanejo. Foi vaqueiro e lavrador até os 15 anos, quando se mudou par a cidade.” É romancista, contista, ensaísta, poeta com vários livros publicados nesses setores. Pertence a grande numero de instituições de relevo, entre elas, membro da Academia Carioca de Letras.
Uma de suas obras, recentemente lançada, é “50 Poemas Selecionados – 20 Anos de Poesia”, onde, no Prefácio, Ubirajara Galli, da Academia Goiana de Letras, diz: “a obra reúne 15 poemas selecionados de cada um de seus livros publicados, retirados de ‘Poemas Contaminados’ e ‘Poemas Telúricos’. Ainda a inserção de vinte outros poemas entre novos e inéditos. /.../ A poesia de Edir Macedo tem um misto de terra e urbanidade”. O posfácio é escrito por um dos grandes poetas brasileiros contemporâneos, Tanussi Cardoso, que capta de maneira magnífica a aura poética e humana que emanam desse livro de Edir Meirelles, “uma poesia da vida e pela vida. Do homem da terra, do chão em que nasceu. Em seus versos ressoam o hálito, o tato, o coração, os sentidos físicos, emocionais de suas gentes. É denúncia sim, mas não é panfleto”.
Edir Meirelles divide seu livro em três partes, a primeira “Cálice Radioativo” com poemas e versos que cortam nossa alma com o desastre do Césio 137 e com a miséria de menores perdidos na sarjeta; mas também com os sentimentos que brotam por toda parte em quem volta para onde viveu sua juventude e redescobre como seu ser ainda está repleto de tudo que por lá existe.
Uma segunda parte é “Tropeço Histórico”, a vida enfocada como totalidade de todo o seu acontecer, com a memória a pulsar na atualidade da genealogia, que continua a ser tecida no dia-a-dia.
A terceira parte “Lavoura Onírica” é o espelhar do sonho também como nossa realidade, desde o que “está escrito nas estrelas”, passando por “incansável busca”, até o bronzeado e apimentado “afrodivino”.
Há um tipo de poesia que se faz com o acúmulo de metáforas, muitas vezes obscuras e não raro incompreensíveis. O poetar de Edir Meirelles passa longe de tudo isso. Em seus poemas há a claridade que pulsa, sem rodeios, na profundidade de seu ser sertanejo. O poema “Enfim” canta: “agora a ilha / o silêncio e o albatroz / nós dois, enfim sós”.